
Eu tinha pensado em mil coisas para inaugurar essa coluna… coisas que me irritaram profundamente, que eu amava e ― infelizmente ― ficaram péssimas… porém, surpreendentemente, algo conseguiu me deixar tão 1. Entediada, 2. Irritada 3. Indignada… os adjetivos são tantos que vou usá-los no corpo do texto… quanto Terra Nova.
O episódio foi liberado em alta qualidade, gratuitamente, na iTunes Store Americana. Não tinha muitas esperanças de que a série fosse ficar boa, principalmente pelo trailer liberado, mas acabei dando uma chance, afinal até gosto de me surpreender no bom sentido, esperando que uma série seja um lixo e, ainda bem, ela é boa. Não foi o caso de Terra Nova.

Como eu sei que esse tipo de coluna gera comentários enfurecidos daqueles que amaram o que está sendo criticado, só vou dar um aviso: comentários nos ofendendo nem serão aceitos. Não estou criticando os fãs da série, e sim a série.
Dito isso, o episódio de quase uma (longa) hora e meia foi difícil de engolir, como o banner dessa coluna diz: tentamos, tentamos, mas…
A série tinha, a princípio, tudo para dar certo. Afinal, foram VINTE MILHÕES gastos no piloto. No episódio piloto de Fringe (vídeo acima), foram 18 milhões. E foi um episódio quase perfeito. Nota 9,9 para aquele piloto. Realmente impressionante, com qualidade de filme, boas atuações, cenas de ação, suspense constante, apresentação gradual dos personagens e sem exageros desnecessários.
Costumo desculpar e relevo usos péssimos de chroma key em séries com menos orçamento inicial. Mas como “desculpar” péssimos efeitos especiais, péssimas atuações, péssimo roteiro? Tudo tão péssimo em algo que se propunha a ser revolucionário, ou no mínimo, como o banner de divulgação da série propõe? “Épico”… Pois é, não tem desculpa.
Épica?… Não. Aventura?… Não.
Como eu tinha mencionado na coluna sobre The Vampire Diaries, sempre tento dar uma chance a uma série depois do episódio piloto, porque tinha desistido de Dollhouse por ter achado o piloto ruim, mas tinha gostado da idéia da série.
Quanto ao começo e aos poucos pontos altos do piloto duplo de Terra Nova:

No começo, fiquei esperando algo realmente legal, os efeitos especiais, ainda mais com a qualidade HD de um episódio da iTunes Store, pareciam bem envolventes. Um cenário dark e distópico, um futuro sem esperança. Tudo isso estava ok, não excelente, mas ok. As cenas iniciais da série, mesmo as partes mais mornas, me prenderam a atenção.

Detalhes dos ambientes do futuro, máscaras de oxigênio, ou como chamam de “re-respiradores”, além dos painéis gigantes e cenas de plano gerais bem estilo Blade Runner. Tudo isso estava dentro do limite e não fugia tanto das expectativas.
A atuação do ator principal é excelente. Essas coisas boas que percebi em Terra Nova, no fim das contas, só me levaram a perguntar por que diabos estavam desperdiçando aqueles dois atores bons nessa série péssima. Triste assim.

Bom… a partir daqui é um fail atrás do outro…
São muitos os motivos que me levaram a odiar Terra Nova logo de cara. Como disse, apenas dois dos personagens são interpretados por bons atores. Depois de ver esse piloto, eu li que eles “recrutaram” atores desconhecidos europeus. O.k., mas existem atores desconhecidos bons. E existem atores desconhecidos péssimos. E parece que esses últimos foram os que compuseram 99% do cast de Terra Nova.
As situações são tão jogadas que nem a parte do começo, que tinha efeitos especiais bons (os quais citei acima), convencia. O ritmo nos primeiros 15 minutos do episódio é bem engatilhado, cena após cena, você querendo ou não, fica esperando o desdobramento. O problema é que esse ritmo é totalmente interrompido quando eles chegam a Terra Nova, passando pelo portal. Algumas criaturas, principalmente as menores, ficaram bem feitas e a partir daí tudo é mal desenvolvido e não estou falando apenas dos efeitos especiais.

O CGI mal feito não é o único problema… se fosse eu assistiria ao restante da série :-/

Cheia de frases cafonas e de atuações que parecem vir de uma escola de atuação às avessas, sem contar a falta de profundidade de todos os personagens.
Deixe-me colocar dessa forma: há dezenas de novelas brasileiras com mais suspense e atuações melhores. E eu odeio novela, mas tenho que admitir que é verdade isso. É triste assim.
Nem quando o episódio está perto do fim e aparece uma cena noturna relativamente interessante, com tiroteios, sangue, cabeças de dinos em close e feitas com bonecos bem feitinhos em vez de efeitos especiais computadorizados toscos, nem com aquela cena a coisa é salva. Você fica esperando mais de 20 minutos de uma completa falta de suspense, completa falta de ação, completa falta de acontecimentos. É um conjunto de coisas totalmente irrelevantes, uma após a outra.
Eu tentei. É bem esse o sentido dessa coluna, falar de algo a que a gente tentou dar uma chance. Mas, no caso de Terra Nova, não dá. Não serve nem como série guilty pleasure ― e é aí que venho com argumentos que podem quebrar as pernas de algumas pessoas.

Se a série se propõe a ser algo magnífico, ou “épico”, como era proposto em sua propaganda, nunca feito antes na TV, ela não tem o direito de ser um lixo. Investimentos são retirados de outras séries boas, por causa disso, algo que muita gente prefere ignorar. Séries como Firefly, Dollhouse, Millennium, entre outras, foram canceladas ― curiosamente, todas da FOX ―, Fringe está em vias de cancelamento, e se conformar com uma série tão presunçosa e tão ruim como Terra Nova é meio que um insulto. Porque as séries boas perdem espaço se as pessoas acharem isso “o.k.”
Há filmes feitos com menos orçamento do que o piloto de Terra Nova. E ficam melhores do que aquilo. Exemplos são muitos, mas não vou citar porque gosto é gosto. E estou falando que Terra Nova é ruim e não é por uma questão de gosto. Vi que muita gente disse que não se pode esperar que seja tão bom quanto Jurassic Park. Ah, bem, pode esperar sim. Vinte milhões de dólares é MUITO dinheiro! Tem temporada de série que recebe isso… sim, por temporada!

Repetições e didatismo forçado, cena após cena, chamando o telespectador de um completo imbecil, principalmente para fãs de ficção científica, a série é deprimente. A filha que acha que é nerd é muito irritante… tá, todos são.
Vamos lá… e os clichês. Quem me conhece e/ou já leu resenhas e matérias minhas aqui no site sabe que não tenho paranóia com clichês e não acho que isso seja uma coisa ruim por natureza. Avatar tem clichês e é um filme ótimo, The Vampire Diaries tem clichês, afinal, quer algo mais clichê que vampiros? E é muito boa. O livro Ghostgirl lida com todos os clichês do mundo ― e recomendo altamente sua leitura.

Eu não esperava um novo Jurassic Park. Aliás, não gosto de dizer (e nem que digam) que “essa série é a nova Lost”, “essa série de livros é o novo Harry Potter” e coisas do gênero. Mas tentaram de todas as formas copiar elementos que deram certo em Jurassic Park e não tiveram sucesso.
Voltando aos clichês, todos são terrivelmente executados, a série não tem ritmo, todos os personagens masculinos são “os fodões” e as personagens femininas são as mais estereotipadas e todas, eu digo, todas, são no maior estilo donzela em perigo, nenhuma é aprofundada ― não que os personagens masculinos sejam, de modo geral ― e a única mulher que tem presença e aparentemente é fodona… pasmem, faz parte do lado “inimigo”.

Aliás, amei Battlestar Galactica logo de cara, com um piloto de 3 horas, que não me deixou entediada em momento algum. E, por isso, continuei assistindo à série, que foi ficando cada vez melhor. BsG teve um orçamento ridículo na primeira temporada. Aqueles cortes nos cantos dos papéis usados na série eram uma forma de mostrar a indignação do pessoal da série com os cortes no orçamento (vide imagem acima). Também consegui ver a terceira temporada da série clássica de Star Trek, mesmo com os cortes horríveis no orçamento e não ficou um lixo. Portanto, uma série que recebe vinte milhões de dólares para fazer um piloto, como é o caso de Terra Nova, e, ainda por cima, adia a estréia de maio para o final de setembro, para “melhorar” efeitos que ficaram, bem, péssimos… é vergonhoso. Insultante. Não dá para encarar, não dá para aceitar que enfiem nas nossas goelas abaixo um lixo como esses se passando por original e obra-prima. Não sou masoquista, meu tempo é precioso e juro que prefiro ficar olhando para o teto em vez de assistir a mais um minuto que seja dessa série.
A parte péssima:

Os alojamentos parecem casas de praia dos Hamptons de tão luxuosos, e nada daquilo parece verdadeiro. Tudo muito feliz e muito organizado, mesmo com os rebeldes infiltrando-se e promovendo ataques. De onde eles tiraram aquilo se do futuro que vieram os recursos eram escassos? Reparem que até caminho de pedrinhas tem na porta do “alojamento”, onde o que seria mais natural, mesmo tendo se passado anos, haver uma cabana militar, ou com algum tipo de arquitetura mais rústica e decadente e que desse na cara que ali haviam humanos do futuro e que vieram do futuro previamente retratado no começo do episódio, onde as pessoas não sabem conservar porcaria nenhuma. As construções deveriam ser cinzas e sem graça, justamente para dar contraste com a floresta e a vida, mas nem isso eles acertaram. Falando nisso, para uma sociedade que quer ser toda “verde”, consumindo produtos naturais, montando fazendas, etc, eles cortaram bastante madeira, não? Mas isso é até perdoável.

Tudo é jogado por água abaixo e é colocado aquele tom de família feliz, conceito que parece que tentaram enfiar forçado para o público, chegando a beirar o ridículo (como se fosse possível ser pior, afinal nesse episódio, “pior” é um ponto de vista que muda toda hora) quando uma fala clichê malfeita da menina que não tem cara de nerd dizendo coisas de astronomia que qualquer um com um livro básico de escola está careca de saber, e se achando a tal, completa o horror exatamente no último minuto do episódio fechando a série com chave de ouro dos tolos. Fora o detalhe de, depois de quase terem morrido nas garras e bocas de dinossauros, tudo fica “bem”, com a família “feliz” olhando para… A LUA! Não consigo encontrar uma palavra para definir aquilo. Estão me faltando adjetivos negativos o bastante para falar dessa série. É bem tenso. De tão ruim.
Se você ainda decidir ver essa série depois disso tudo, boa sorte. Porque a gente desistiu. É masoquismo insistir nisso, e não somos masoquistas. Sim, sabemos que algumas séries que vemos têm uns efeitos podres, falhas de roteiro, algumas atuações ruins; é legal saber ter um lado crítico, e ver defeitos principalmente no que a gente gosta. Existe o ruim. Existe o péssimo. E existe Terra Nova.
Se você é masoquista, vai ter que pagar para ver o episódio na iTunes Store, pois ele não é mais free. :-/
Se você quiser saber o que outras pessoas acharam de ruim na série, sobre os eventos em si, clique aqui (em inglês)
O Supernovo.net fez uma review do piloto que também não é nada favorável. Eles também tiveram coragem de ver o terceiro epi.
#MomentoPolyannaModeOn -> Sabe o que essa série fez de bom comigo? Deu vontade de comprar o blu-ray de Jurassic Park.
Dinossauros “de verdade”… só em Jurassic Park
BAZINGA! Eu já queria comprar esse blu-ray antes disso! Heheh Quer a versão em Blu-ray? Dica: Encomende a sua nesse site aqui
Colunista: Ana Death Duarte
Colaboração: Alonso Lizzard




















































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