Essa resenha pode conter spoilers do primeiro livro da série “As lendas de Yelena Zaltana” ― leia a resenha do primeiro livro aqui.
Seguindo sempre seus instintos, aventurando-se até mesmo quando todos os riscos possíveis estão à sua frente, a tenaz Yelena não desiste de seus objetivos. Nunca. E é essa a personagem de que aprendemos a gostar no primeiro livro que se mostra ainda mais ousada neste segundo livro da série.
Neste segundo livro da série, Yelena está em Sitia, vai se reencontrar com a família da qual fora separada quando criança… mas não pensem que tudo são flores: as aventuras de Yelena não cessam e, em Estudos sobre Magia ela aprende muito mais coisa além da Magia em si.
“Yelena, as aparências podem enganar. Procure com a mente, e não com seus sentidos. (…) O fato de a mente de uma pessoa ser receptiva a sua sondagem não significa que você tenha permissão para mergulhar nos seus pensamentos mais profundos. Isso é contra o nosso Código de Ética.”
“Eu esperava jamais ter de tirar outra vida, mas, se pretendia sair com vida daquela confusão, não podia me dar ao luxo de ter compaixão.”
“Alguns hábitos aprendidos a duras penas não eram fáceis de ser esquecidos.”
No reencontro com os pais, ela depara-se com os problemas que ter sido afastada da família lhe trouxeram, e com a estranheza de seu irmão que, aparentemente, a odeia.
“Durante os instantes constrangedores que se seguiram, desejei conhecer um feitiço de invisibilidade, e me lembrei de perguntar para Irys se tal feitiço realmente existia.”

Toda a parte do relacionamento de Yelena com seu irmão é “desenrolada” no final, quando ficamos sabendo do que houve na época do ponto de vista dele. E não é só essa questão familiar que é resolvida. Sitia e Ixia talvez possam deixar de ser territórios inimigos, porém, Yelena pode ser a única pessoa que pode unir os dois lugares, justamente por ter sido criada em Ixia e ter nascido em Sitia, o que lhe confere uma certa posição de vantagem em relação a uma pessoa que tenha vivido em apenas um dos lados.
“Lembrar dos meus esforços para sobreviver em Ixia me levou a pensar em Valek. A saudade que sentia dele me devorou o coração.”
Se em Estudos sobre Veneno, fomos apresentados à política e aos costumes de Ixia, o mesmo acontece em relação a Sitia, que são tão diferentes, especialmente os costumes, o que chega como um choque para Yelena às vezes, mas é muito legal vê-la fazendo com que aquelas pessoas bitoladas de ambos os territórios mudem de idéia em relação a coisas em que acreditavam, especialmente o modo de agir e de reagir a alguma situação difícil.
“O fantasma de Reyad podia assombrar meus sonhos, mas não permitiria que ele me assombrasse a vida.”
Adorei especialmente a divisão dos clãs, o modo como as famílias são nomeadas… e outros detalhes muito legais, inclusive dos pais de Yelena, mas, infelizmente, se eu entrar em muitos detalhes, corro o risco de estragar o livro para vocês, então vou me conter, pois as surpresas são muito legais!
“E, após algum tempo, você não precisa usar palavras para realizar a magia. Torna-se instintivo.”
Vocês se lembram de quanto eu tinha amado Estudos sobre Veneno? Então, eu adorei Estudos sobre Magia também. O segundo livro não fica para trás em termos de aventuras, histórias paralelas, personagens novos e interessantes, o retorno de vários personagens que aprendemos a amar no livro 1… tudo isso enquanto Yelena aprende, ou melhor, descobre seus dons reais em termos de Magia. E o que ela vai descobrindo… bem, isso me fez lembrar de Zedd, em Legend of the Seeker, quando ele diz que magia não é algo bom ou ruim, apenas complicado. E, se a Magia é complicada, as pessoas, com ou sem magia, são ainda mais complicadas. E são essas complicações, esses “twists” na história que fazem com que Estudos sobre Magia seja tão page-turner quanto o primeiro livro da saga. É de tirar o fôlego!

Zedd no episódio “Elixir” da série Legend of the Seeker
A presença de Valek só se dá na terceira parte do livro, mas não pensem que a história fica menos interessante sem ele. Quando Valek aparece, Yelena já havia conseguido se livrar de várias enrascadas sozinha e, com seu jeito peculiar, claro, já havia conquistado alguns amigos, muitos admiradores, e mais ainda… inimigos.
É muito legal ver o desenvolvimento da história e notar como é pelas atitudes e não pelas palavras que ela se mostra capaz e faz com que várias dessas pessoas que, a princípio, não gostavam dela, curvem-se perante ela heheh.
“Olhei para o céu noturno, observando as estrelas dançarem, enquanto aguardava o sono. A visão de vida de Kiki [a égua] parecia correta. Boa comida, água fresca, um doce ocasional e alguém de quem gostar. Era o que todo mundo deveria ter. Uma visão simplista e pouco realista, mas que me tranquilizava.”
Um dos pontos mais belos do livro é o relacionamento entre Yelena e a égua Kiki. Entre outros dons, Yelena descobre que consegue comunicar-se com animais, e Kiki, uma égua muito fofa e inteligente, acaba sendo sua companheira, embora não a única, mas a mais legal desse livro, ao menos na minha opinião.
Ao contrário de Estudos sobre Veneno, o cliffhanger desse segundo livro é mais tenso, pois há um assassino ritualístico e a conclusão dessa jornada fica meio pendente. Esse assassino é terrível, nojento, mas a forma como Yelena conduz sua busca é excelente, sem contar como ela lida com as pessoas, que passam a mudar seus hábitos arraigados ― e ela vai mudando um pouco também, sem deixar de ser ousada, agora que está livre de morrer por veneno, ela se arrisca, pois, como ela mesma diz, é esse o seu jeito ― arriscar-se e torcer para dar tudo certo no final.
“Viver é um risco, Cada decisão, cada intenção, cada passo, cada vez que sai da cama de manhã, está correndo risco. Sobreviver é saber que está correndo tal risco e não sair da cama se agarrando a ilusões de segurança.”
Embora fiquem algumas pendências no final, como muitas das tramas secundárias são resolvidas, a sensação de alegria ao terminar de ler o livro, com uma história muito bem contada, é enorme.
Resta a agonia da espera agora pelo último capítulo das Lendas de Yelena Zaltana: Estudos sobre fogo. Ainda bem que a editora está lançando os livros bem rápido
Nota: 5 frascos de misturas únicas

Resenha: Ana Death Duarte
Edição de imagens: Alonso Lizzard. Créditos para os artistas em link nas imagens. Imagem do potinho de poção aqui.
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