É bem provável que não só eu como vocês também, leitores, tenhamos lido tantos livros YA sobrenaturais… que precisamos de algum “quê” a mais para adquirir uma obra nova do gênero, não?
Pois bem, a Editora Harlequin está com uns lançamentos muitos legais, tanto em Fantasia (vejam a resenha de Estudos sobre Veneno, que já indiquei aqui pra vocês), e agora, vou trazer a vocês a resenha de “Minha alma para levar”. Um dos YA sobrenaturais que mais amei ter lido esse ano (e cuja autora já me conquistou, e já estou de olho em outra série dela, sobre werecats hehee)
Bom, a frase da Kirkus Review, dizendo “Os fãs de Crepúsculo vão amar” pode deixar vocês com pé atrás – se, assim como eu, também detestarem Crepúsculo, claro ―, mas não se enganem. Infelizmente, parece que virou moda comparar tudo com essa “saga”.
Pois bem, começarei essa resenha dizendo que, muito ao contrário de Crepúsculo, nossa heroína em “Minha alma para levar” não é submissa, não depende dos homens para fazer alguma coisa (embora ela seja esperta e saiba muito bem usar a ajudinha deles quando necessário hehe), aliás, ela não é chorona, reclamona… e a Kaylee não é ― pasmem! ― nem um pouco chata! Além disso, a visão de Rachel Vincent não e machista, o clima sexy entre Kaylee e Nash (que eu já falei pra Ziih que é um mocinho tão legal quanto vários da Meg Cabot ou mais ainda…) é encantador… e, embora esse livro lide com morte, posso afirmar que ele é relativamente bem feliz!
“Nash se afastou e me olhou, uma profunda necessidade fulgurando por trás de seus olhos. A intensidade daquela necessidade, a estonteante profundidade de seu desejo, me atingiu como uma onda na lateral de um navio, ameaçando me lançar para fora. Ameaçando me arremessar naquele mar turbulento, onde a corrente certamente me levaria embora.”
Sim, para fãs da mitologia celta/irlandesa, esse livro é um deleite. Temos as bean sidhes como personagens principais no livro, além dos anjos da morte ― e um deles, curiosamente, se chama Tod, que quer dizer Morte, em alemão.
“Anjos da morte não gostam que os outros mexam nos brinquedos deles.”
Querem saber mais? Perderam esse temor inicial de que poderia realmente ter algo a ver com Crepúsculo? Continuem a ler xD

As banshees (bean sidhes) não são seres sobrenaturais que foram explorados até não dar para aguentar mais falar neles ― como, infelizmente, é o caso dos vampiros para muita gente ―, então podemos dizer que o livro é relativamente original (já que não se pode afirmar que nada é original demais hoje em dia, e só por isso). Os personagens são cativantes, inclusive alguns dos secundários, mas eu ainda espero um desenvolvimento melhor dos humanos no segundo livro, rs, já que o foco principal do primeiro é nos anjos da morte e nos banshees/bean sidhes (e, sim, temos bean sidhes do sexo masculino no livro! Iei!)

“Os primeiros tentáculos de pânico já estavam me cutucando por dentro da pele.”
Se, a princípio, só pela comparação com Crepúsculo, fiquei com pé atrás, todas as críticas que eu tinha lido sobre essa série, além da mitologia abordada em si, já tinham me despertado o interesse.

Representação artística de uma Banshee maléfica e uma bondosa
Os títulos em si me chamaram a atenção por fazer uso de uma “prece” bem conhecida dos americanos, cujos significado e origem já expliquei aqui a origem dos nomes dos títulos originais da série em inglês, My soul to take, my soul to save, my soul to keep, If I die, Before I Wake…

“Minha visão escureceu e ficou turva, como se aquele mesmo filtro cinzento e enevoado tivesse sido posto sobre o mundo inteiro. O dia estava menos reluzente agora; as sombras, mais grossas, o ar, nebuloso.”
“(…) como se alguém tivesse aberto um ralo na base do arco-íris e deixado toda cor sair.”

Os Anjos da Morte (que meio que funcionam como Reapers, ou coletores de alma, por assim dizer) trabalham meio que “em conjunto” com os/as bean sidhes ― pois deve haver um balanço, um equilíbrio tanto na vida como na morte, e levar almas que não deveriam ser coletadas tem um preço, lógico.
“As palavras dele recaíram sobre mim com uma presença quase física, fazendo com que tudo em que elas tocavam se acalmasse em mim, como um bálsamo que eu podia ouvir.”
Alguns momentos foram bem divertidos, especialmente em se tratando da burocracia envolvida na coleta de almas… e alguns momentos são muito emocionantes e lindos, e a escrita de Rachel é encantadora ― e a tradução ficou boa, transmitindo bem o estilo da autora, como vocês podem ver nas quotes que entremeiam essa resenha.
“Ele parecia pronto para matar o dragão do ceticismo. E eu estava pronta para ir à guerra com ele…”

Eu amei acima de tudo o Nash, especialmente pelo jeito amoroso dele com Kaylee ― é, embora certo Anjo da Morte apareça, e possa até ser uma aparente ameaça, não temos triângulo amoroso nesse livro! Ieeeeeei! (Ainda bem, porque eu já não aguentava mais… chega uma hora em que certos clichês cansam demais, né?)
Devorei esse livro em 2 dias! Porque quando faltavam 150 páginas para o fim… não consegui mais largar o livro até acabar a leitura. xD
E o livro, de forma geral, fugiu bem dos clichês ― ele começa em uma discoteca! Um clima tão cool para o começo de um livro S2 E com uma morte também, infelizmente… mas vamos sendo apresentados à forma como Kaylee sabe que as pessoas vão morrer… e não é mero sexto sentido, como é o caso de Meena, em Insaciável, e sim o dom dela como bean sídhe. Não vou revelar os detalhes, lógico, como sempre faço (ou deixo de fazer hehe), porque a graça é ir descobrindo junto com Kaylee Cavannaugh como funcionam as coisas agora que ela descobre que não é humana.
”O grito que eu me recusava a soltar esmurrava dentro de meu cérebro, reverberando, ecoando, pontuando a tristeza ainda forte no coração.”
Aliás, vários momentos de humor entremeados a momentos bem trágicos deixam o livro delicioso de ser lido ― e o romance entre Kaylee e Nash é um ponto a mais, não sendo meloso, nem surgido do nada… ele revela, no final, o que o levou a ficar com ela, além de que o romance entre os dois é desenvolvido com base na amizade (Kaylee sente ciúme dele, lógico, mas ele também sente ciúme dela e é fofo o encanto que esse casal tem!)
“O carro cheirava a café, e Nash cheirava a sabonete, pasta de dente e algo indescritível e algo tentadoramente delicioso.”
“Agora provavelmente ele achava mesmo que eu era uma aberração. Uma garota que acha que sabe quando alguém vai morrer. Isso certamente poderia ser interessante em alguns grupos; definitivamente era uma certa peculiaridade mórbida.”
Eu já não vejo a hora de ler o próximo livro dessa série ― que a Harlequin já nos avisou que o lançamento do segundo livro será em fevereiro de 2012, Yaaaaaaaaay! ―, mas posso dizer a vocês que o livro 1 é bem fechadinho, a gente sente vontade de ler mais porque os personagens são deliciosamente bem desenvolvidos, eles são cativantes ― eu deveria ter sacado quem era a “vilã”, mas foi meio surpresa, embora a autora tivesse dado dicas a respeito.. gostei disso também hehe
“Emma atraía atenção como lã atrai estática.”
“O problema de se ter tudo que se quer na vida é que você não está preparada para a decepção quando ela vem.”
A Harlequin está lançando essas séries com um espaço de tempo relativamente pequeno entre os livros, o que é muito legal e por isso eles estão de parabéns! E acertaram em cheio, mais uma vez, em uma série de sobrenatural que merece uma nota altíssima, pois eu não consegui encontrar nenhum defeito, acreditam? Então, vamos lá…

Nota:
5 foices bem afiadas dos Anjos da Morte (mas me deparei com essa tattoo linda que tem tudo a ver)

Resenha: Ana Death Duarte
Edição de imagens: Alonso Lizzard
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