
A gente tinha anunciado essa coluna nova no ano passado e a primeira saiu mesclada com a Review do filme As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne. Dessa vez vamos fazer uma comparação do livro Círculo Secreto, cuja trilogia deu origem à série da CW, The Secret Circle (sobre a qual já falamos um pouco aqui), portanto, se você não vê a série de TV, vai encontrar alguns spoilers aqui, já que o propósito dessa coluna é o de comparação, não é uma resenha, e sim uma análise.
Vou tentar manter os spoilers limitados ao mínimo, mas o aviso foi dado. Eu vi que muita gente não quis ler o livro justamente por ter medo de ele “conter spoilers da série”. É engraçado pensar assim, especialmente porque o livro foi escrito em 1994… e a série é de 2011 hehe. Mas eu acabei lendo o primeiro livro e metade do segundo (é, na edição americana tie-in, que acabei ganhando, vem o primeiro livro e metade do segundo, vai entender…), e posso garantir a vocês que é bem diferente. E num bom sentido. O Alonso está lendo a versão em português e teremos uma resenha aqui em breve.
Se vale a pena ler o livro? Bem, eu aprovei. Sério, adorei tanto o livro que não sei ainda se gosto mais dele ou da série de TV… e, para não ter que decidir, eu sempre me lembro que um é bem diferente do outro, que a série de TV é boa, o livro é ótimo e, bem… continuem a ler para saber das semelhanças e diferenças e decidirem por vocês mesmos se vão ler os livros e ver a série ou não.

Ao ler o livro, notei até algumas semelhanças com o clássico Jovens Bruxas (The Craft). Que surgiu dois anos depois do primeiro livro dessa série. Não que aquele filme seja um ripoff (cópia descarada), ainda mais que, como bem lembrou a @giualonso, na década de 1990, todo aquele feeling wiccano era meio que “moda”. Mas temos os mesmos elementos de descoberta de poder por garotas que estão na escola, o quanto isso afeta os relacionamentos delas na escola em si, e coisas do tipo. Além disso, o livro (de 1994) tem em comum com o referido filme a parte da magia em si, que segue bem a linha wiccana, ao contrário da série de TV, em que ainda não temos exatamente informações sobre “que tipo de magia/culto/deuses” os bruxos da série usam. Já mencionaram vodu e magia negra, que não seria a base da feitiçaria do Círculo.

Ao contrário de The Vampire Diaries, que também tem uma adaptação em série de TV bem diferente dos livros, The Secret Circle, os livros, são muito bons (é, não gosto dos livros de TVD). Mas, o que há de comum com a série de TV de TVD é que, além de a série de TSC ser inspirada em livros da mesma autora, há muitas diferenças entre os livros e a adaptação. Para falar a verdade, eu até prefiro que seja assim… pois quando a adaptação é muito igual, e a gente não teve acesso aos livros antes, a leitura pode vir a ser um pouco cansativa justamente nas partes em que é muito igual… o que acabou acontecendo comigo em algumas partes de A mulher do viajante do tempo, livro que li depois de ver o filme que o adaptou. (Falarei sobre essa adaptação numa outra coluna dessas, mas o que quero dizer com isso é basicamente que, pelo menos para mim, se a adaptação for bem diferente, contanto que não “estrague” o espírito da história original, acaba sendo melhor para eu curtir a história em suas diversas mídias).
Como também colocaremos aqui no blog uma resenha de O círculo secreto, vol. 1, vou me ater aqui apenas às semelhanças e diferenças entre a série de TV e os livros, o.k.?

O Círculo no livro é formado por 12 pessoas e não 6. Adam é ruivo! A mãe de Cassie não está morta (e até onde li, rs, ela não morre), e até a cidade é diferente. A história no livro se passa em New Salem e isso é muito importante na obra.

Faye é a personagem do livro cuja representação na série de TV ficou o mais próxima da personagem original, e acho que a atriz escolhida para fazer o papel dela ajudou muito nisso.

Os rituais são feitos com base em rimas, algo típico do paganismo, pelo menos do neopaganismo, e Cassie é boa nisso. Em criar poemas. Embora muita coisa seja diferente, como a presença dos adultos e as ações deles sendo bem mais fortes na série de TV do que nos livros (até onde li, metade do livro 2), temos aqueles momentos na série de TV em que, para quem leu os livros, dá para notar aquela “homage” ao livro que deu origem à série, como a morte de um dos membros do círculo e a substituição desse membro por outro (embora na série e no livro sejam personagens diferentes, a referência me pareceu bem clara), como Cassie quase fazendo um feitiço, ela acaba não fazendo e… aparentemente “do nada”, o que ela queria se realiza. Assim como também o pavor que a Cassie na série de TV tem de cortes, o que também acontece no livro. E, na série de TV também já tivemos referências a The Craft, que foi lançado em 1996, dois anos após o primeiro livro de The Secret Circle.

A personagem da Cassie é muito mais irritante na série de TV, embora no livro ela chegue a irritar mais por sua adoração de Diana do que por qualquer outro motivo, pelo menos para mim. Mas a Cassie do livro também é “boboca”… só lendo é que vocês vão notar essas semelhanças e diferenças, e é muito legal fazer essa comparação. Foi uma das poucas obras que curti ter lido depois de ver a adaptação (eu já tinha ouvido falar nessa série de livros antes de a adaptação surgir, mas quem disse que tive tempo de ver isso mais a fundo? São tantos livros para ler… que fica difícil acompanhar tudo… cada vez mais…).

Pelo que andei lendo, vai ter um quarto livro sendo lançado recentemente. Mas ele não faz parte da trilogia original, da década de 1990. Se é apenas para se aproveitar do sucesso da série de TV, não sei. É bem provável que seja, mas o outro lado bom dessa adaptação é que os livros acabaram sendo lançados aqui no Brasil, no caso já temos o primeiro volume, lançado pela Galera Record e que vai ser resenhado em breve aqui.

The Craft
É praticamente isso. O propósito dessa coluna não é se aprofundar tanto assim na história, tanto da série quanto do livro, então aguardem mais artigos sobre a série de TV, The Secret Circle, aqui no site, assim como resenhas dos livros dessa série e o artigo prometido sobre The Craft, que provavelmente vai inaugurar nossa coluna do “Vale a pena ver de novo” (revi esse filme recentemente, vi os extras dele e vou ter umas coisas legais a comentar aqui com vocês). Por enquanto é isso. Comentem… digam o que acham, se leram o livro (peço para evitar comentar spoilers dos livros, tudo bem?), se gostam mais dele do que da série, se convenci você a dar uma chance ao livro e/ou à série de TV. Nós gostamos de saber o que vocês pensam.
Trailer da série:

Colunista: Ana Death Duarte
Edição de imagens: Alonso Lizzard
