
Olá! Me chamo Marcela, faço Produção Editorial na UFRJ, o curso mais legal do mundo <3, e gosto tanto dos livrinhos que quero ficar perto deles até na hora de trabalhar e estudar. Sou fã do iCultGen e hoje vim aqui falar com vocês, leitores lindos! Ai, que emoção! *-*
Vou falar um pouco sobre algo muito agradável: paixão… por livros! As diversas formas de gostar dos diversos livros que tem por aí.

Eu sou apaixonada por livros e talvez só exista uma coisa de que eu goste mais do que ler: comprar (livros)! Passo deliciosas horas folheando-os, mas, parando pra pensar, acho que passo ainda mais tempo bisbilhotando livrarias, blogs, catálogos online e tudo que mostre muitos e muitos livrinhos! A graça não é bem comprar, mas, antes de tudo, descobrir coisas novas!
Sabe, essas coisas… não consigo passar por uma pilha de livros sem virar o pescoço pra dar um espiadinha. Ou por um shopping sem dar um pulinho na livraria. E, melhor ainda, quando estou no ônibus, e tem alguém lendo do meu lado, me desdobro toda para descobrir qual é o livro!! Esse é o passatempo preferido da minha viagem! Quando tem algum livro por perto, quero sempre dar uma olhadinha pra saber se é alguma novidade pra adicionar na lista!!
É muuito gostoso descobrir um livro novo, que você não fazia ideia que existia e é adorável, de um gênero que você ama, ou de um autor que você não conhecia e faz muito seu estilo. E na maioria das vezes, tenho vontade de comprar todos!

Às vezes até sem nem saber do que se trata, só de olhar o título, a capa, uma notícia de lançamento e tun tun tun, o lugarzinho reservado aos livros no coração já começa a bater e bombear sangue para todo o resto do corpo e SAI DA FRENTE QUE EU QUERO. Será que vocês me entendem? Por acaso é assim com vocês também? ;P
Estar sempre por dentro das novidades, conhecer bastante editoras, autores e títulos é ótimo, claro, e faz com que a gente vá aprendendo os segredinhos do mundo editorial. Tipo, qual autor é legal, qual é furada; qual editora é muito boa, qual é meio duvidosa. E por quer isso seria ruim? Porque acaba com a nossa inocência. Agora quando vemos um livro, nos perguntamos da onde ele surgiu, qual a história do autor, qual a editora etc etc, e tudo isso pesa na hora da escolhê-lo.
Mas não é só o mundo editorial que acabamos por conhecer muito bem… De tanto ler, acabamos criando manias, gostos e nossas paixões. Assim, além de conhecer os segredinhos desse mundo, conhecemos os nossos próprios segredinhos, do nosso “eu-leitor”. E é sobre isso, mais especificamente, que eu gostaria de falar.
É tão divertido parar pra pensar sobre nossa própria “personalidade-leitora”. Qual tipo de livro a gente bate o olho, só de saber que foi lançado e já deseja mais do que qualquer coisa na vida; qual autor pode publicar uma frase no tumblr e você quer ler, imprimir e colar na parede! E qual livro pode estar na lista dos mais vendidos, ser elogiado por todo mundo, ter sido presente da sua vozinha, mas que você não quer ler de jeito nenhum!
Que tal brincar de analisar nosso eu-leitor?
Meu eu-leitor, por exemplo, é uma criancinha frágil, fraca e assustada que vive no mundo das maravilhas. Eu adoro muitos tipos de livros. É muito fácil me convencer a comprar um livro. De adulto a YA, de drama a comédia; quero todos.
Mas o meu ponto fraco mesmo (ou melhor, forte) são os contos de fadas, histórias fantásticas e afins! Ai, como eu amo ler sobre seres mágicos, situações fantásticas e mundos diferentes, até com pitadas de suspense e aventura. Sejam as mais clássicas como O Senhor dos Anéis, até os novos títulos de YA “sobrenaturais”. Quer dizer, hoje em dia tem muitos infanto-juvenis padronizados, que vêm sempre com o mesmo bla bla bla e a mesma história da menina que ainda frequenta o colégio, até que descobre um mundo mágico e se apaixona, morre de amores e zzzzzzzz…

Esses normalmente são chatos, e por isso eu sou apaixonada por autores como Neil Gaiman, Terry Pratchett, que muitas vezes criam um mundo 100% fantástico e lindo, onde todos nós gostaríamos de viver. Em alguns casos, é legal quando tem alguma conexão com a realidade, até mesmo como em Harry Potter, mas acho lindo quando o autor é tão louco e criativo que cria algo totalmente novo e nos permite viajar muito na leitura. Ai, é tão bom! *suspiro*… *lembrando de Stardust*…
Além disso, só uma aura fantástica já é envolvente. Um livro que cita, logo na sinopse, palavras como “fadas”, “princesas”, “mundo mágico”, “unicórnio” e bla bla bla-encantado se torna irresistível pra mim! Ou uma capa super fantástica! A sinopse pode ser horrível, mas uma capa fantástica, huuuuuuum <3

Acabo sendo ingênua e acreditando que todos eles são bons! Alguns são só bobeira genérica que usa o mesmo estereótipo de personagem para o mundo dos vampiros, das fadas, das bruxas… bem, estou criticando maaas eu nunca resisto! Sou boba, né?
Aliás, como a Ana diz, EU COMPRO, SIM, LIVROS PELA CAPA! Quem não? Hehehe… tem capas que são horríveis, mas pertencem a livros que você simplesmente não pode deixar de comprar, então, fazer o quê? Mas outras são intragáveis! Um exemplo perfeito disso é a capa de A Canção do Súcubo, de Richelle Mead. Essa capa é tão marcante pra mim, porque eu acho essa autora boa, e até acho que esse livro é bom, mas que capa é essa, minha gente?! Dá medo até de ter um troço desses na estante.
E no caso de clássicos, com muitas reedições, quem escolhe pelo tradutor e não pela capa? Vou disfarçar e confessar que EU NÃO. Eu quero uma capa digna dos meus clássicos lindos! Os da Jane Austen, eu simplesmente quero a coleção da L&PM, graças àquelas capas gracinhas e ilustradas! – aliás, nada tem o charme de um clássico, né?
Não sei se vocês concordam comigo, mas de tanto ler livros de fantasia, ficção-científica, ou clássicos antigos acabo sentindo falta de coisas mais atuais. Às vezes é bom ler um livro sem precisar ser apresentado ao lugar, àquele novo mundo e aos seres fantásticos que vivem nele! É bom também já conhecer o lugar da história e esperar que só coisas dentro da nossa realidade aconteçam, mas coisas divertidas, é claro. A gente sempre busca identificação com os personagens, então é tão legal ler uma história sobre um jovem/adulto com dilemas parecidos com os seus, vivendo situações que você poderia viver também, tipo festas, shows, namoros, brigas, etc. São poucos os livros assim, mas eu adoro, queria mais! Para ser bem prática, vou exemplificar com os livros “protagonizados” pelo Michael Cera!!!! Uma noite de amor e música, Os Diários de Nick Twisp (e até Scott Pilgrim, que apesar de suuuurreal, tem bastante situações cotidianos e tão legais *-*)
Bem, acho que começar pelos livros que me atraem não foi uma boa ideia. É melhor ser direta e dizer os que não me atraem. Porque, né… sempre tem aquele livro que eu mencionei antes, que desperta tanto ânimo em você quanto em um bicho preguiça.
Vamos lá às coisas que eu sei lá por que NÃO ME AGRADAM.

Pra começar, sendo direta: não gosto de sofrimento, abusos sexuais e morte. (Eu disse, criancinha frágil.)
Há, tô brincando. Não sou nada frágil, eu gosto muito de drama (mais ou menos), eu não gosto de ler só coisas bobas e engraças. Mas tudo tem limite. Nicholas Sparks, por exemplo, tá pra lá do limite. Ele não é dramático, ele é um triturador de corações. Uma coisa é você ler um livro que tenha drama, morte, doenças, amor, beleza, e, enfim, história. Outra é um livro em que tudo gira em torno de morte, doença e sofrimento (com pitadas tão leves de outras coisinhas, que você nem percebe porque o sofrimento É TANTO) e você não vai conseguir levantar da cama depois de ler, só pensando em como a vida (ou o Nicholas) é cruel.
Acho que essa é uma forma de apelação. Você chora tanto quando lê, afinal é impossível se manter indiferente diante de tanta desgraça, e aí acaba achando que o livro foi bom porque te fez sentir alguma coisa, mesmo que depressão profunda. Mas foi só isso que você sentiu de bom. Muitos livros são trágicos, mas não deixam triste, porque você acaba pensando mais em outras coisas da história. Além do mais, eu admito, gente, não quero ler morte nem sofrimento, não. Morte já basta na vida. É claro que sofrer junto com um livro também é muito bom, mas a tristeza deve vir junto da beleza, da reflexão, e não ser o sentimento dominante. Não quero ler pra me sentir deprimida!
Estou criando um filtro de leitura, e já elimino histórias que contém câncer e abuso sexual. Abuso sexual, bem, o meu coraçãozinho frágil não aguenta! (ok, agora quem fez o drama fui eu).
Como eu ia dizendo, um livro não precisa de muito para despertar o leitor compulsivo dentro de mim. Foi assim que, acerca de um ano atrás, estava, como a maioria da população, empolgada para ler a famosa Trilogia Millennium. Ouvia uma amiga falar com MUITA animação sobre como ela não conseguia desgrudar do livro. Para um leitor compulsivo, vocês devem concordar comigo, essas são palavras mágicas, que enlouquecem. Estava tudo indo muito bem, e pelo jeito que ela e todo mundo falava, esse seria o próximo livro circulado e sublinhado três vezes com caneta rosa de glitter, da minha lista, até ela dizer uma outra palavra mágica, de efeito contrário: *policial*. Meu eu-leitor se partiu em pedacinhos. Pois é, eu não suporto – *snif* *me perdoem* – romances policiais, investigativos, de crime etc. Não consigo ler Agatha Christie, não vejo graça em Sherlock Holmes. Uma leitura que pede para ser devorada, com o coração na mão, não me causa nem um pouco de ansiedade. Eu poderia fechar o livro uma página antes de saber quem matou o Senhor Mostarda, sem nem uma ruga de preocupação e continuar vivendo normalmente sem isso.
Mas não pensem que estou diminuindo esse gênero consagrado. Eu gostaria muito de apreciá-lo, e venho aqui com toda humildade abafar. Me deem dicas, conselhos, eu aceito. Por exemplo, será que leio ou não a Trilogia Millenium? Confesso que ela (que, além de policial, tem vários estupros que eu sei!!!) vem me tentando um bocado, uma vez que absolutamente todas as pessoas que leram esses livros falaram que é maravilhoso, impossível parar de ler e coisas do tipo. Estranho, hein? Porque sempre tem alguém pra dizer “não larguei o livro”, “devorei”, mas quando TODO MUNDO diz isso, alguma coisa tem.

Arte do filme Enrolados (Tangled).
Outra coisa que atrai, não importa o seu gosto, são edições bacanas. A Zahar também vem fazendo um bom trabalho desde que lançou a charmosíssima edição de bolso de Sherlock Holmes. Ela é tão fofa e barata (E TEM CAPA DURA <3), que estou louca para comprar e lê-la passeando pelo metrô do Rio, fingindo estar em Londres.
Tudo isso na verdade é só uma forma de encaixar os livros em algum lugar e categorizá-los pra mim mesma. É engraçado pensar o quão atrativo ou não pode ser um livro antes de lê-lo. Mas cada livro é único, assim como a experiência do leitor, e a gente só sente mesmo quando lê. Às vezes estou lendo um livro tão legal que penso “que sorte parar pra ler esse livro, se alguém tivesse falado eu não daria tanta importância”. Mas é assim, né… Temos tantas opções o tempo todo que acabamos tendo que escolher, e usando nosso próprio critério para isso. Então, pra mudar isso, eu proponho a todos o desafio de mudar os próprios conceitos, abrir os horizontes e deixar surpreender-se! Começando por mim! O que vocês indicam?

Artigo: Marcela O Ramos (Visite 0 blog dela aqui.)
Texto enviado para o iCultGen.
Edição de Imagens: Alonso Lizzard.
Artistas: Créditos nas imagens e/ou divulgação. Imagem título do post aqui.




