Em primeiro lugar, não me estranhem, hehe. Eu sei que já resenhei @mor e já cansei imensas vezes de repetir e repetir e repetir… infinitas vezes que romance pura e simples não faz meu estilo de leitura. Por outro lado, também já falei aqui que estou “singrando mares nunca dantes navegados”, digamos assim.
E escolhi esses romances específicos por motivos, obviamente, também específicos. Não vou falar de @mor aqui, pois já falei desse livro na resenha dele. Meu foco agora é “Amor nos tempos de blog”. Cujo nome em si… alguém lembra? Traz alguma lembrança, mesmo que seja de ter ouvido falar, mesmo que não tenha lido? Isso mesmo: “Amor nos tempos do cólera”, de Gabriel García Marquez, que inclusive virou até filme. Novamente, não vou entrar no mérito da qualidade do filme e nem no livro do Marquez em si, pois meu foco aqui é em Amor nos tempos do blog.

Assim que vi a capa, além do trocadilho com o famoso livro de Marquez, percebi o esquema de cores e não deu outra: se você tem um óculos 3D, mesmo que seja daqueles porquinhos, rs, que vêm de brinde com alguma coisa, experimente usá-lo para ver a capa, pois ela é (quase) em 3D! <3 Eu testei com dois óculos 3D que tenho aqui em casa, um do Submarino, que meio mundo deve ter, pois fiquei curiosa, hehe, e um que veio com uma série de TV, e as experiências foram, no mínimo, divertidas heh – como vocês podem ver nas fotos, nos dois casos, se formam corações! Bem, instigou minha curiosidade hehe ;p

Então juntemos: blog (Internet), romance em tempos em que o virtual já tomou muito espaço do “real”, chegando a um pouco em que fantasiamos com o possível real graças ao que conhecemos no virtual e temos, em mãos, um livro atualíssimo! Se as missivas de antigamente causam tanta curiosidade e admiração em nossas gerações, vocês nunca pararam para se perguntar como futuras gerações vão encarar blogs e afins? Mas, como (quase) sempre, estou divagando.
Logo depois da quebra do artigo, vocês vão saber dos motivos pelos quais esse livro fofo me cativou e, ao contrário do que cansei de ler em resenhas por aí, não, um livro não tem que mudar a nossa vida, e sim, nós é que temos que mudá-las.
Esse livro não mudou a minha vida. Pois o sentido das leituras é que eu é que preciso mudar meus pontos de vistas e abrir minha mente para novas experiências (claro, sempre expandindo um pouco além da minha zona de conforto, senão vou acabar criticando (e muito) livros que outras pessoas acham bons simplesmente porque eles não fazem meu estilo de jeito nenhum e sei que vou detestar. Repito: nunca vou ler Nicholas Sparks, rs).
Se eu soubesse desenhar, rs, faria uma espécie daqueles negócios de matemática cujo nome esqueci, rs, em que se cruzam determinados pontos que me permitem fugir um pouco da zona de conforto. Dentro de alguns limites. E Amor nos tempos do blog foi uma ótima aquisição nessa minha fase de romper barreiras e seguir lendo livros para os quais talvez certos intelectuais possam torcer o nariz, mas que eu vejo como um acréscimo a mim como pessoa, pois, como meu amado Oscar Wilde (cuja resenha de “O Retrato de Dorian Gray” vocês verão em breve aqui) dizia: “Definir é limitar.”

Quando falei antes que um livro não muda uma pessoa, não me entendam errado, eu quis dizer que o livro em si não muda a pessoa… as pessoas é que devem estar preparadas para mudar e esse é justamente um livro que fala de mudanças de atitudes. Infelizmente, um dos pontos mais tocantes da história (e que é um tremendo spoiler) eu não vou poder e nem quero revelar aqui… mas foi uma das coisas mais lindas do romance em si.
Posso adiantar a vocês que, sim, esse é um livro que tem final feliz para todas as partes envolvidas, então vocês podem comprar sem medo, dar de presente a amigos, casais, namorado(a)s, sem medo algum, lol.
“Ler é como uma viagem, e se viajamos duas, três, quatro vezes ao mesmo lugar, vamos descobrindo ruazinhas, paisagens virgens e outros lugares que antes não tínhamos visto.” [sobre releituras]
O livro é todo em formato de blog, como vocês podem ver pelas fotos. Selecionei alguns trechos, para que vocês também saibam como é a linguagem simples e ao mesmo tempo bela, de adolescentes, pois é um livro que trata de primeiros amores, ao mesmo tempo em que tem, em segundo plano, uma separação de um casal, mas, acreditem, nem isso é algo infeliz, pois certas mudanças são necessárias nas vidas das pessoas. Como no seguinte trecho:
“(…) provavelmente viverão outros amores em suas vidas, mas acreditam [em] desde o primeiro tentarem fazer as coisas direito (…) acreditam na comunicação e no diálogo, pouco importando qual idioma precisarão utilizar, porque os olhos sempre dizem exatamente o que sentimos.”
Eu comecei a ler esse livro sem muitas expectativas, mas ao mesmo tempo com aquele feeling que eu tenho de que “eu vou gostar desse livro”. Não sei explicar, é algo que simplesmente eu sinto e raramente me engano. E fico bem brava quando me engano, rs, e não foi esse o caso. Recomendo aos românticos de carteirinha e aos não românticos também (como eu, rs).
“Mais um ano, mais um blog. Acho que a internet está na minha vida desde sempre. Ela me ajuda muito, principalmente porque posso me comunicar melhor com as pessoas. Escrever e mandar e-mails. Entrar em chats. Com a invenção do blog, tornou-se possível escrever para muita gente ao mesmo tempo. (…) Depois apareceu o fotolog, mas não me seduziu muito. Então foi a vez das redes sociais e de fazer amigos cibernéticos. (…) Mas não sei se quero escrever sobre isso aqui. Inclusive, esse é um dos grandes dilemas de um blog: sempre temos que dizer a verdade? Toda a verdade? Está bem, vou escrever, afinal, ninguém sabe que este blog existe e com certeza ninguém vai ler o que vou postar.”
E é aí que ele se engana hehe. Reparem, no decorrer do livro, não só os blogs que aparecem ― não só é só o dele, cujo codinome é Ariza, mas também outros, reparem nos comentários, alguns com 1, 2, alguns com 22, 43, 0, enfim, tudo é relevante nesse livro, inclusive de quem são os comentários… e nas datas… especialmente quando as histórias começam a se cruzar

O livro “O amor nos tempos do cólera” é praticamente um personagem extra nesse livro, mas também não vou estragar a graça para vocês, que espero que fiquem morrendo de vontade de ler esse livro e corram atrás dele logo logo [Eu o li em menos de 24 horas desde que ele chegou aqui em casa! E isso porque ontem e hoje foi uma correria só, porque hoje, depois que o peguei para ler, foi em uma “deitada” só, respirei um pouco e vim escrever sobre ele! hehe]
“No mundo virtual, tudo parece mais fácil. Tão fácil quanto dar conselhos.”
Sim, eu torci pelos personagens principais. Eles são totalmente críveis! Eles podem ser quaisquer pessoas que você conhece na rua, na escola, até no trabalho, não importa a idade… Aliás, acho que seria lindo se ele fosse indicado como leitura nas escolas… muito melhor do que muito livro que nos empurram goela abaixo com suas mensagens moralistas e chatas feitos para ensinar os estudantes que devemos nos trancar em casa porque o mundo é feio e perigoso e cheio de drogas e- #momentorevoltamodeoff

“Acho que o que me mais dói é pensar que os amores verdadeiros e que são para toda a vida, como o amor de Ariza e Fermina em O amor nos tempos do cólera, só existam nos livros.”
Embora a sensação que a vida “real” nos traga seja mais de turbulências, problemas, justamente, “O amor nos tempos do blog” também mostra certas turbulências e dificuldades e, embora tenha um certo ar de “conto de fadas” (aliás, uma das personagem até usa o nick “Cinderela Virtual”), na verdade, os personagens vão atrás do que desejam, eles não sentam e esperam alguma coisa acontecer… e há problemas nos caminhos deles, mas eles os resolvem, às vezes de um jeito torto… e não é isso que fazemos na vida?
A mensagem que o livro me transmitiu é de suprema esperança.
Terminando com uma citação seguida de comentário, o que não é muito meu costume, mas gostei especificamente dessa, então, vamos lá:
“Existe gente preconceituosa? Claro que existe. Mas também tem muita gente que não se importa com essas bobagens. Mas, se você prefere não falar dessas coisas, tudo bem, vou respeitar, mas é uma pena que você não esteja aberto para ver as coisas de outra maneira.”
Sempre vão existir preconceitos, sempre vão existir obstáculos, seja no romance ou em qualquer outra circunstância das nossas vidas. Esse é um livro que, embora fale de romance, também aborda outros temas, e pode levar você a pensar mais além, sobre vários outros pontos temáticos que podem substituir a palavra “romance” e fazer com que repense diversos preconceitos que talvez você mesmo tenha em sua vida e nem se dê conta disso, pois é algo que está lá, enraizado, como unha encravada, na pele, no cérebro, no seu dia-a-dia.
Nota: 3 comentários com blá blá blá e 2 bem interessantes
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Resenha e fotos do livro: Ana Death Duarte
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