Resenha do livro: A Sombra Vinda do Tempo – H. P. Lovecraft

Uma caçada no tempo. É com isso, mas não só com isso, claro, que nos deparamos nessa obra de H. P. Lovecraft. Já comentamos sobre o estilo do autor, como vocês podem ver na resenha de Nas montanhas da loucura, na resenha de Um sussurro nas trevas e na do O Caso de Charles Dexter Ward. Então, a princípio, vou me focar na obra em si, em mais uma bela tradução trazida ao público, dessa vez, em de “The Shadow Out of Time”.

A história lida com viagem no tempo, um tema que costuma ter muitos buracos, pois há diversos paradoxos que muitos autores não conseguem resolver em seus livros e/ou filmes sobre o tema. O que achei mais interessante é que são as mentes que viajam no tempo, no corpo de um hospedeiro, digamos assim, enquanto a mente original está no futuro, a mente do hospedeiro fica no corpo do hipnotista, no passado, e ambos vivenciam experiências, e quando a mente que foi ao passado volta para o futuro, sobram as pseudomemórias (que muitos de nós chamamos de déjá vu), que, nessa noveleta de Lovecraft, compõem grande parte do terror do personagem que vai descobrindo, aos poucos, que foi “tomado” por uma mente alienígena do passado. Terrível, não? Com uma boa mescla de histórias de ladrões de corpos, com a mitologia lovecraftiana dos deuses alienígenas, ela segue nos contando, em primeira pessoa, como de costume em suas obras, a história do homem que passou por tal experiência… como ela lida com isso? O que pode ser esperado dessa obra tão ousada, ainda mais para e época em que foi escrita? Leia mais a seguir.

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Resenha da Graphic Novel: A Metamorfose – Adaptado por Peter Kuper

“A metamorfose” é um clássico do absurdismo, linha filosófica que também era seguida por Albert Camus (vide nossa resenha de O Estrangeiro aqui).

Nessa obra, de 1915, imediato pós-Primeira Guerra Mundial, Franz Kafka coloca seu personagem, Sam Gregor, em uma situação absurda que serve como metáfora para mudanças (as metamorfoses) pelas quais a vida de sua família passa diante do absurdo de ter o filho transformado em… um inseto.

Segundo os estudiosos de suas diversas traduções, em A Metamorfose, Kafka não desejava rotular Gregor como algum inseto específico, e sim mostrar a repulsa do próprio Gregor perante sua transformação, porém, “Ungeziefer”, a palavra que ele usa, foi traduzida como “barata”, “besouro do estrume” ou “escaravelho”, entre outros termos específicos, mas, na verdade, refere-se a insetos de modo geral. Segundo o escritor Vladimir Nabokov, que também era um lepidopterologista (o escritor, autor de “Lolita”), Gregor era uma espécie de besouro com asas capaz de voar.

Se você leu o clássico de Kafka, é bem possível que se interesse por essa versão em quadrinhos da obra, de cujos detalhes falarei mais adiante. Se ainda não leu, talvez vá gostar do mesmo jeito, pela reunião do traço eficaz de Peter Kuper, que deu vida ao absurdo, à tristeza, e ao chamado à reflexão por parte de Franz Kafka.

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