“Olhos de Fogo” é o segundo livro de Helena Gomes (desta vez em coautoria com Khatia Brienza) que leio e pelo qual me apaixono logo de cara. A narrativa é simplesmente de tirar o fôlego, além de belíssima. Há o elemento investigativo, o sobrenatural – Anhangá. Não vou aqui contar a história de Anhangá segundos os mitos indígenas, a verdadeira, pois é legal ir descobrindo aos poucos, durante a trama, além de que, talvez depois, como eu, vocês possam sentir a curiosidade de tentar saber mais ainda sobre esta entidade sobrenatural que acaba se tornando um dos suspeitos no livro… Demonizada pelos invasores, será que ela está mesmo se vingando deles?
Nesta obra, as autoras nos transportam ao Brasil colonial… bem, para alguns, senão muitos, falar em história do Brasil já pode ser motivo de torcer o nariz e desistir da leitura? Porque muitos devem se lembrar de livros chatos que foram “obrigados” a ler na escola, talvez essa menção possa levar a mal-entendidos. Não, de maçante “Olhos de Fogo” não tem nada!

Não há nada ali que caia na mesmice e os eventos históricos não só não são o único elemento da trama, como servem de pano de fundo para uma narrativa fabulosa, com personagens muito bem construídos e complexos, enfim, a leitura torna-se um grande prazer, ao contrário de muitos livros que fomos obrigados a ler na escola e/ou na faculdade. Há de tudo um pouco: temas como sonambulismo, sonhos premonitórios, assassinatos romance (sim, romance, e não apenas centrado em um único casal!), as crenças indígenas e o medo dos que foram cristianizados em face ao que desconhecem.

Os índios, mais especificamente uma índia potiguar, Jussara, e um menino holandês, desempenham papéis importantíssimos no desenrolar dessa trama em que, não somente temos a história principal, os estranhos assassinatos, assim como se descobre também – ou se revive, para quem ainda lembra do que estudou na escola – elementos da própria história do Brasil.








