Resenha do livro: A Maldição do Tigre – Colleen Houck

“A maldição do tigre” é um livro lindo, encantador. Mas não é só isso. Colleen Houck conseguiu reunir diversos elementos que tornaram sua obra única e, após terminar de ler esse primeiro volume da Saga do Tigre, eu já desejei ter logo em mãos o próximo volume. Não que ela não tenha dado um bom encerramento para esse primeiro livro, pelo contrário. Ele tem isso que adoro em primeiros livros de série: um encerramento de um ciclo, de um arco, em que determinados pontos são amarrados, mas, claro, ficam pontas soltas a serem resolvidas depois.

E essas pontas soltas dão muita agonia, mas, como falei, ao mesmo tempo, a sensação de encerramento bem-feito faz com que nossa satisfação com a leitura seja completa.

“À frente, o futuro se delineava: a faculdade, uma variedade de empregos de verão para custear os estudos e a alta probabilidade de uma vida solitária.”

Dito isso, o livro me encantou por diversos motivos. Um deles foi exatamente a protagonista. Apesar de ter perdido os pais, sua família adotiva gosta dela, se dá bem com ela ― ou seja, ela não é uma coitadinha que perdeu os pais e… o típico clichê de muitos livros (mesmo alguns bons) YA. Não, sua família é boa, e ela não fica reclamando da vida o tempo todo. Além disso, quando necessário, ela realiza as coisas sozinha, ou seja, ainda por cima não é a típica donzela em perigo. (Embora ela se meta em confusão e perigos no decorrer da história, hehe, mas isso faz parte de sua aventura.) A autora é fã de Star Trek, Indiana Jones e Star Wars, e se prestarmos bastante atenção, há muita influência dessas obras nesse livro, bem aliadas à criatividade própria da autora. Nada de mocinha frágil e indefesa, e sim humana, cheia de dúvidas e algumas certezas, claro.

Aliás, classificar esse livro, como? Ele é uma boa mescla de fantasia com aventura, bem típicos de filmes como Indiana Jones, Tomb Raider, A Múmia e A lenda do tesouro perdido ― no sentido em que há profecias, enigmas, templos indianos, deuses, todos os bons elementos desses filmes em um livro cativante do começo ao fim.

“Quando a jaula do tigre passou diante de mim, tive uma vontade súbita de acariciar-lhe a cabeça e confortá-lo. Eu não sabia se tigres podiam demonstrar emoções, mas por algum motivo eu tinha a impressão de que podia sentir seu estado de espírito. Parecia melancólico.”

Continue reading

Resenha do livro: Deuses Americanos

AVISO AOS VIAJANTES:

“Deuses Americanos”, do Neil Gaiman, é praticamente um clássico moderno, e nesse ano ele completa dez anos de existência, além de ser ganhador dos prêmios Hugo e Nebula. Neil criou um mundo interessante nessa obra, mas devo adiantar a vocês que a história é bem triste… Ou seja, tem que estar preparado para lê-la, e não é de uma sentada só, já que o livro leva os leitores a refletir sobre diversos aspectos da vida, não só individual, como das pessoas como um todo.

O próprio autor faz uma advertência aos navegantes no início de seu livro, e vocês entenderão, após a leitura, o motivo pelo qual ele diz que “só os deuses são reais” nessa frase: “Nem é preciso dizer que todas as personagens, vivas, mortas ou mortas-vivas utilizadas nessa história são fictícias ou foram usadas em um contexto fictício. Só os deuses são reais.”

Deuses Americanos também pode ser entendido, sob determinado ponto de vista, como uma grande metáfora do autor inglês que mora e trabalha nos EUA. Assim como, em um sentido mais amplo, pode ser compreendido como uma história sobre como nós, humanos, vamos nos afastando não somente das crenças antigas, como vamos nos desapegando e, de certa forma também, vamos anulando parte de nossa história a cada era, que tende a, hoje em dia, ficar cada vez mais curta.

Continue reading