Resenha do livro: Sabor de Sangue e Chocolate – Helena Gomes

Bem, vou começar essa resenha dizendo que esse foi um dos melhores livros que li esse ano, o que vocês podem estranhar, já que estamos apenas no começo do ano… mas já li MUITOS livros bons nesse ano, apenas um mais ou menos.

Posso dizer também que foi o melhor livro que li da Helena Gomes e, melhor ainda, esse é um livro que ela escreveu sozinha, sem ser co-autora. Ou seja, o mérito é todinho dela. Quando comecei a ler Sabor de sangue e chocolate, achei que fosse gostar dele, sim gostar, mas não amar… E o livro já começou me fascinando, ainda mais que ela usou a música “Under Pressure” (Queen + David Bowie) para situar Alex, um dos personagens mais legais da literatura (não só YA, mas da literatura em si).

E foi muitíssimo legal saber que ela conecta essa ligação de “Under Pressure” com a história de Alex e não é apenas uma música aleatória. :-)

Sabor de sangue e chocolate é sobre sangue, chocolate, magia, vampiros, seres alheios à criação ― na verdade, seres que existiam em religiões anteriores à imposição da cristandade e muitos que foram demonizados depois disso.

Há um serial killer à solta, meninas viciadas em vampiros… mas não há vampiros. Para quem está de saco meio cheio de histórias de/com vampiros, tive que avisar para não fugirem desse livro magnífico. Mas também não vou contar qual é o ser bem pouco usado na literatura sobrenatural que a Helena usou magistralmente nesse romance que me fez percorrer uma trilha cheia de emoções, suspeitas, alegria, tristeza, romance, tristeza.

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Resenha do livro: Um Trabalho Sujo – Christopher Moore

Em primeiro lugar, devo dizer que a capa desse livro é ma-ra-vi-lho-sa! A ilustração é linda, e, como vocês poderão ver nas fotos abaixo, a parte interna da capa dele também é roxa (além de o título, Um trabalho sujo, ser em relevo e com verniz). E como se não bastasse essa coisa linda toda… a capa tem textura, bem similar à de Insaciável.

E, como eu sempre me pergunto, quando vejo um livro com uma capa linda demais: será que o livro é bom?

Esse livro não é bom, a história dele é excelente, isso sim! A criatividade do autor, mesclada com uma boa dose de humor negro, em um clima de mitopunk (vide a resenha de Deuses Americanos, do Neil Gaiman, sobre mitopunk), deixou a obra algo simplesmente peculiar, interessante, engraçado em alguns pontos, e dramático em outros.

A mitologia criada/adaptada pelo autor é muito interessante ― temos os “coletores de almas”, tipo os Reapers, ceifadores, como naquela série Dead Like Me (alguém se lembra dela?) Mas as coisas não param por aí. Desde cães infernais, referências ao Livro tibetano dos mortos, deuses da Morte que se esgueiram pela cidade… muita coisa legal em uma mescla de mitopunk com dramas pessoais e muitas situações engraçadíssimas – para quem curte humor negro, lógico ^^

Quer saber mais detalhes sobre a trama e o que achei das situações do livro, do enredo, enfim, de tudo de modo geral? É só continuar a ler a resenha =]

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Resenha do livro: Minha Alma para Levar – Rachel Vincent

É bem provável que não só eu como vocês também, leitores, tenhamos lido tantos livros YA sobrenaturais… que precisamos de algum “quê” a mais para adquirir uma obra nova do gênero, não?

Pois bem, a Editora Harlequin está com uns lançamentos muitos legais, tanto em Fantasia (vejam a resenha de Estudos sobre Veneno, que já indiquei aqui pra vocês), e agora, vou trazer a vocês a resenha de “Minha alma para levar”. Um dos YA sobrenaturais que mais amei ter lido esse ano (e cuja autora já me conquistou, e já estou de olho em outra série dela, sobre werecats hehee)

Bom, a frase da Kirkus Review, dizendo “Os fãs de Crepúsculo vão amar” pode deixar vocês com pé atrás – se, assim como eu, também detestarem Crepúsculo, claro ―, mas não se enganem. Infelizmente, parece que virou moda comparar tudo com essa “saga”.

Pois bem, começarei essa resenha dizendo que, muito ao contrário de Crepúsculo, nossa heroína em “Minha alma para levar” não é submissa, não depende dos homens para fazer alguma coisa (embora ela seja esperta e saiba muito bem usar a ajudinha deles quando necessário hehe), aliás, ela não é chorona, reclamona… e a Kaylee não é ― pasmem! ― nem um pouco chata! Além disso, a visão de Rachel Vincent não e machista, o clima sexy entre Kaylee e Nash (que eu já falei pra Ziih que é um mocinho tão legal quanto vários da Meg Cabot ou mais ainda…) é encantador… e, embora esse livro lide com morte, posso afirmar que ele é relativamente bem feliz!

“Nash se afastou e me olhou, uma profunda necessidade fulgurando por trás de seus olhos. A intensidade daquela necessidade, a estonteante profundidade de seu desejo, me atingiu como uma onda na lateral de um navio, ameaçando me lançar para fora. Ameaçando me arremessar naquele mar turbulento, onde a corrente certamente me levaria embora.”

Sim, para fãs da mitologia celta/irlandesa, esse livro é um deleite. Temos as bean sidhes como personagens principais no livro, além dos anjos da morte ― e um deles, curiosamente, se chama Tod, que quer dizer Morte, em alemão.

“Anjos da morte não gostam que os outros mexam nos brinquedos deles.”

Querem saber mais? Perderam esse temor inicial de que poderia realmente ter algo a ver com Crepúsculo? Continuem a ler xD

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Resenha dupla dos livros: Escuridão e Sombra – Suma de Letras

Essa resenha fecha o nosso ciclo de artigos com o tema oceano. Veja o outro aqui Explorando as Profundezas de O Velho e o Mar.

De uns tempos para cá comecei a ler livros de autores de países um tanto diferentes dos habituais, e suas histórias não deixam a desejar, é o caso da trilogia My Land, da escritora italiana Elena P. Melodia, que me surpreendeu bastante no segundo livro da série, Sombra, mas falarei disso mais pra frente. Acho que essa resenha foi um desafio para mim, pois nunca tinha feito uma dupla.

Se você não tiver como comprar, logo de cara, os dois primeiros livros, recomendamos esperar um pouco para comprar os dois juntos, pelo menos. A história dessa trilogia é engatilhada, um livro é praticamente continuação do outro e o cliffhanger é bem forte do primeiro para o segundo livro e a situação também é complicada no segundo, deixando aquela sensação de que estão falando páginas. Por isso mesmo resolvi montar essa resenha dupla, assim vocês poderão saber qual será o andamento da história, se vale a pena comprar os dois para diminuir um pouco da agonia, mas quando o terceiro for lançado, faremos uma resenha separada para ele.

Um aviso: a segunda parte dessa resenha pode contar microspoilers, mas é a melhor parte da resenha. Nela também explico qual é a relação desse livro com o tema oceano. :-)

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Resenha do livro: Deuses Americanos

AVISO AOS VIAJANTES:

“Deuses Americanos”, do Neil Gaiman, é praticamente um clássico moderno, e nesse ano ele completa dez anos de existência, além de ser ganhador dos prêmios Hugo e Nebula. Neil criou um mundo interessante nessa obra, mas devo adiantar a vocês que a história é bem triste… Ou seja, tem que estar preparado para lê-la, e não é de uma sentada só, já que o livro leva os leitores a refletir sobre diversos aspectos da vida, não só individual, como das pessoas como um todo.

O próprio autor faz uma advertência aos navegantes no início de seu livro, e vocês entenderão, após a leitura, o motivo pelo qual ele diz que “só os deuses são reais” nessa frase: “Nem é preciso dizer que todas as personagens, vivas, mortas ou mortas-vivas utilizadas nessa história são fictícias ou foram usadas em um contexto fictício. Só os deuses são reais.”

Deuses Americanos também pode ser entendido, sob determinado ponto de vista, como uma grande metáfora do autor inglês que mora e trabalha nos EUA. Assim como, em um sentido mais amplo, pode ser compreendido como uma história sobre como nós, humanos, vamos nos afastando não somente das crenças antigas, como vamos nos desapegando e, de certa forma também, vamos anulando parte de nossa história a cada era, que tende a, hoje em dia, ficar cada vez mais curta.

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Resenha do livro: Ragnarök – O Crepúsculo dos Deuses – Uma Introdução à Mitologia Nórdica

Sempre gostei de mitologias. Desde a escola ficava animado quando os meus professores citavam alguma coisa ou outra bem vaga. Imprimia sempre que podia algumas curiosidades que encontrava na Internet, na era “pré-gifs”, onde sequer esbarrava em imagens muito detalhadas e diversificadas. Colecionava artigos de revistas, entre outras coisas. Meus pais não valorizavam muito a leitura, então não pude ler quadrinhos, nem comprar livros, tanto quanto gostaria, mas estou correndo atrás do tempo perdido e já comprei alguns livros especializados.

A questão é que para conhecermos os mitos a fundo precisamos de muitas, mas muitas obras na estante. É um trabalho meticuloso e bem demorado. Podemos perder décadas para muitas vezes saborearmos parcas gotas do hidromel das histórias mais interessantes.

Esse hidromel foi trazido por essa autora, Mirella Faur. É impossível deixar de notar a profundidade de alguns detalhes contidos no livro e a determinação da autora em reunir todas essas informações, sem que o texto se torne tão maçante, como costumamos ver em muitos livros que seguem esse estilo.

Vários mitos nórdicos são permeados pela profunda compreensão e a resignada aceitação dos desígnios do destino, da transitoriedade da vida e da inexorabilidade da morte, às cujas leis eram submetidos todos os seres vivos e os próprios deuses. Por terem sido criados pela união de elementos opostos, gelo e foto, gigantes e deuses, as divindades nórdicas não eram perfeitas nem eternas, tendo em si a semente da morte, assim como os seres humanos.

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Resenha do livro: Amores Infernais

Vários Autores: Melissa Marr ― Gabrielle Zevin ― Scott Westerfeld ― Justine Larbaiester ― Laurie Faria Stolarz

Quando vi quem eram os autores dos contos desse livro, isso já me animou bastante. Fiquei curiosa para saber se o Westerfeld se copiaria, já que ele fez um conto distópico, por exemplo.

Livros “apenas” românticos tendem a me cansar. Isso é um fato inegável. Então, ao lerem a minha resenha de um livro cujo tema principal é um romance, é legal vocês terem em mente que não é meu gênero predileto, e minhas opiniões aqui são de quem realmente se surpreendeu com a obra.

O tema romance sobrenatural tem tudo para dar certo, se os(as) escritores(as) souberem conduzir a trama. E temos, em Amores Infernais, autores(as) muito bem sucedidos em seus contos/suas noveletas. Nada é exageradamente meloso, temos pontos de vista masculinos e femininos, o que é legal, porque torna o livro uma leitura agradável tanto para homens quanto para mulheres. É legal ver o ponto de vista dos meninos, e não apenas das meninas, em relação a seus sentimentos, e em Amores Infernais temos isso também.

Foi difícil decidir de qual dos 5 contos eu mais gostei. Decidi ler esse livro em exatos cinco dias, um conto por dia, pois achei que isso aumentaria o envolvimento com cada uma das histórias – e funcionou.

Os contos são mais longos do que o “normal”, então, ao menos para mim, eles se enquadram mais na categoria de noveletas. E, ao contrário de muitos contos que terminam deixando a gente com vontade de ler mais, parecendo que a história ficou incompleta, em Amores Infernais não é assim. Percebi que as histórias foram muito bem desenvolvidas, a ponto de produzirem uma sensação de encerramento muito boa ― e, claro, seria muito legal ler mais sobre aqueles personagens, aqueles mundos, mas isso não quer dizer que os contos terminaram sem pé nem cabeça.

Depois de terminar de ler os 3 primeiros contos, já havia decidido que o livro valia a pena. Mas o último conto, da Melissa Marr, autora de “Wicked Lovely”, acabou me envolvendo ainda mais do que o que eu havia amado antes. Como pode?

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Resenha do livro: A Pirâmide Vermelha – Rick Riordan

Bem, em primeiro lugar, devo agradecer à indicação insistente do livro pela @Ziih e pelo @BrunoVarela. Depois, eu acabei ganhando esse livro num concurso cultural lá no NUPE, com este poema aqui Das Pirâmides e dos Antigos Segredos À Morte dos Deuses e o Segredo Atual.

Eu classifico o livro de várias formas, porque várias foram as emoções despertadas em mim por essa leitura. Para começar, digo que ele traz uma boa dose de aventura deliciosa como aquelas de filmes que embalavam a Sessão da Tarde na Globo… claro, na época em que filmes bons, como Os Goonies, por exemplo, passavam na sessão da tarde.

Todo o apelo do livro para mim veio, a princípio, do uso da mitologia egípcia. Eu não tinha tido vontade de ler os livros do Percy Jackson; não é que eu não goste de mitologia grega, pelo contrário. Gosto de mitologias diversas, mas admito que a egípcia me atrai mais. Bastet, Anúbis… e até mesmo Set?! Todos reunidos em uma saga de aventura? Leitura obrigatória para fãs de mitologia ― e o autor conseguiu usar muita coisa real da mitologia egípcia (quem conhece as lendas vai reconhecer isso) e, ao mesmo tempo, fez sua versão das coisas de forma que não fosse uma distorção, mas sim uma bela reinterpretação dos mitos.

Muitas vezes dá para o leitor esquecer que Sadie tem apenas 12 anos. Há diversos momentos hilários ― e as piadas são muito bem-vindas em momentos em que o clima fica tão tenso que às vezes nem parece exatamente um livro infanto-juvenil. E isso também é algo excelente ― literatura para adolescentes com qualidade, inteligente, humor sagaz, enfim, tudo que pode agradar também aos adultos que amam tudo isso em um bom livro de aventura.

Lembrei-me do jogo para PC, Timelapse, lançado há mais de uma década, que segue o mesmo estilo do Myst, e o jogador, ao encontrar uma mensagem na secretária eletrônica, deve ajudar um amigo pesquisador que encontrou uma máquina do tempo alienígena e descobriu um elo entre as civilizações antigas. Um dos cenários é no Egito e, embora os gráficos naquela época não fossem muito excelentes, o jogador deveria resolver enigmas, destravar passagens secretas e descobrir o que houve com o seu amigo perdido.*

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Resenha do livro: A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

Da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo – Edição Especial (com extras e capa dura)

Introdução:

“A Batalha do Apocalipse” é um livro épico. Não restam dúvidas quanto a isso. Porém, ao contrário do que muitas resenhas anteriores mencionaram, não podemos compará-lo ao clássico “Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien por diversos motivos e vou citar apenas alguns: Tolkien criou um universo inteiro, não apenas uma história com seres já existentes em outras mitologias, porém, também criou seres novos, além de adicionar seu toque a cada linha escrita, a cada personagem, a cada detalhe de sua grandiosa obra.

Embora eu tenha acabado de fazer uma “comparação” com “O Senhor dos Anéis”, eu fiz isso já me perguntando: por que tudo tem de ser comparado com Tolkien? Nem tudo precisa ser comparado com Tolkien, Bram Stoker ou Shakespeare. Especialmente obras contemporâneas, cujas temáticas e abordagens tendem a ser ligadas aos problemas contemporâneos e acabam tendo pouco ou nada em comum com os clássicos.

Dito isso, não com o intuito de desmerecer o livro de Eduardo Spohr, posso dizer que sim, ele é épico, mas em outro sentido. Além de alternar entre flashbacks e situações atuais, colocando o Sétimo Dia da Criação como a Era até o momento que estamos vivenciando, podemos situar a obra no limiar entre a fantasia urbana e uma versão do autor de um tema da mitologia cristã. Além disso, outros elementos de outras mitologias estão intrinsecamente ligados e presentes, não deixando a obra com um caráter religioso e nem como uma continuação das pregações da Bíblia; pelo contrário, servindo-se da base principal da mitologia cristã, o autor ainda inclui a existência de seres de outras mitologias, como os próprios anjos reconhecem suas existências e acabam se ligando, seja fortuita ou planejadamente, nesta grande Batalha do Apocalipse.

Já que estamos lidando com um livro, em si, épico, precisamos apontar pontos que não foram citados pelo autor (na parte em que ele mesmo se refere ao que lhe influenciou), mas, como diria Umberto Eco, aquela terceira versão… a do leitor. E é sob a óptica de leitora e com o conhecimento que tenho de outras obras e da mitologia usada como fundamento no livro (além de elementos históricos e mitologias não cristãs), que passarei a fazer o que chamo de Tratado, e não apenas uma resenha, dividido em partes:

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Resenha do livro: Eon – O Décimo Segundo Dragão – Alison Goodman

Eon é uma menina. E isso não é spoiler, ficamos sabendo disso não só na sinopse em si, quanto logo nas primeiras páginas do livro. Dito isso, a autora se desdobra com descrições complexas e complexas de um mundo de fantasia política delimitado por castas, poderes, além da supremacia masculina.

Mas não se enganem, o livro não só não é machista, como também não é “literatura para meninos”. Se você curte fantasia política, este YA vai lhe agradar bastante, pois ele tem todas as críticas sociais e todos os elementos de luta e superação não apenas de uma mulher em meio a um mundo dominado por homens, como de quem luta pelo bem de uma comunidade contra a tirania e a escravização. 

Pensa-se também que o olho feminino, acostumado demais a olhar para si, não consegue enxergar a verdade do mundo de energia.

Triste isso, não? Então, um dos elementos mais legais da história é justamente o “diferencial”, de Eon, que é, na verdade, uma menina, Eona.

Eon, ou Eona, é uma personagem interessante e multifacetada. No início, tudo que ela quer ser é aquele menino, aquele Dragoneye poderoso que tem um diferencial que os outros não têm, mas ela desconhece ― assim como o Império todo ― o que exatamente está por trás de seu poder diferenciado.

Chi, Ki, ou Qi representados em animes. Em Eon é chamada de Hua

Dizia-se que era preciso muita rigidez física e mental para negociar com os dragões de energia e manipular as forças da terra. Entre os candidatos, dizia-se até que um Dragoneye lentamente dava sua própria força de vida a um dragão em troca da capacidade de trabalhar as energias, e este pacto o envelhecia além de seus anos.

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Resenha do livro: Olhos de Fogo

“Olhos de Fogo” é o segundo livro de Helena Gomes (desta vez em coautoria com Khatia Brienza) que leio e pelo qual me apaixono logo de cara. A narrativa é simplesmente de tirar o fôlego, além de belíssima. Há o elemento investigativo, o sobrenatural – Anhangá. Não vou aqui contar a história de Anhangá segundos os mitos indígenas, a verdadeira, pois é legal ir descobrindo aos poucos, durante a trama, além de que, talvez depois, como eu, vocês possam sentir a curiosidade de tentar saber mais ainda sobre esta entidade sobrenatural que acaba se tornando um dos suspeitos no livro… Demonizada pelos invasores, será que ela está mesmo se vingando deles?

Nesta obra, as autoras nos transportam ao Brasil colonial… bem, para alguns, senão muitos, falar em história do Brasil já pode ser motivo de torcer o nariz e desistir da leitura? Porque muitos devem se lembrar de livros chatos que foram “obrigados” a ler na escola, talvez essa menção possa levar a mal-entendidos. Não, de maçante “Olhos de Fogo” não tem nada!

Não há nada ali que caia na mesmice e os eventos históricos não só não são o único elemento da trama, como servem de pano de fundo para uma narrativa fabulosa, com personagens muito bem construídos e complexos, enfim, a leitura torna-se um grande prazer, ao contrário de muitos livros que fomos obrigados a ler na escola e/ou na faculdade. Há de tudo um pouco: temas como sonambulismo, sonhos premonitórios, assassinatos romance (sim, romance, e não apenas centrado em um único casal!), as crenças indígenas e o medo dos que foram cristianizados em face ao que desconhecem.

Os índios, mais especificamente uma índia potiguar, Jussara, e um menino holandês, desempenham papéis importantíssimos no desenrolar dessa trama em que, não somente temos a história principal, os estranhos assassinatos, assim como se descobre também – ou se revive, para quem ainda lembra do que estudou na escola – elementos da própria história do Brasil.

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Resenha do livro: Avatar – Os relatórios confidenciais do mundo de Pandora e Review do filme

Antes: “Avatar”, o filme.

Primeiro, nessa parte, vamos falar algumas das coisas não exploradas pelas outras reviews que encontramos para só então explorar a obra derivada, vamos passar pelos véus das aparências, indo além das influências óbvias de Pocahontas, viraremos essa caixa de Pandora de cabeça para baixo.

“Avatar” acabou se tornando um daqueles filmes do tipo “Ame ou Odeie” quando filmes com roteiros incrivelmente inferiores e mal-amarrados e sem base alguma chegaram inclusive a ganhar o Oscar de melhor filme, o que já não me espanta mais, pois isso vem acontecendo com uma incrível frequência.

Fiquei um pouco relutante de ver o filme depois de tanta propaganda negativa por parte de muita gente que achou defeitos onde não existiam, dizendo que o filme era cheio de clichês, e só os efeitos especiais que o salvavam, entre outros absurdos. Uma das coisas que me deu realmente mais agonia foi a crítica de que “Avatar tinha uma base maniqueísta, um vilão sem motivos, etc.” E foi, depois de tantas críticas negativas que resolvi finalmente assistir ao filme por curiosidade e, surpresa? Amei!

Sim, “amar, verbo intransitivo”*. Amei! Como verbo transitivo, amei o filme, a narrativa, as críticas a como o ser humano destrói a natureza para obter o que quer, invade terras alheias para tomar o que deseja, mesmo que tenha que destruir civilizações por causa disso. A história não é tão antiga assim.

O filme me fez lembrar imediatamente do discurso do índio, apelidado de Chief Seattle, da tribo Suquamish ao presidente dos Estados Unidos. É ensinado até hoje nas escolas, como forma de exemplificar o terror que o povo conquistado sofre em certos tipos de colonização. Embora o monólogo em si seja aproximado, pois uma das testemunhas foi a responsável por anotar o que foi dito e além disso havia sido traduzido por outra pessoa em mais um dialeto antes do inglês.

…Até mesmo as rochas, que podem parecer indiferentes e mortas, ou como o suor que cai no chão enquanto andamos pela costa sob o sol, estão carregados de memórias emocionantes eventos conectados com as vidas de meu povo, até mesmo a poeira em que você está pisando agora responde com mais afeição às pegadas nossas do que às suas, pois estão repletas de sangue de nossos ancestrais, nossos pés descalços são conscientes do toque favorável dele… – discurso do Chief Seatle

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