Resenha do livro: Ghostgirl – Como ser popular depois da morte

Ghostgirl é um livro encantador. Pensei muito antes de começar a fazer essa resenha, pois não gostaria que meus elogios soassem forçados. Então, “encantador” é um adjetivo que resume bem essa história goticamente fofa ― ou fofamente gótica!

Além do visual bonito do livro em si ― a capa é linda, afinal, ela é vazada e, dentro do caixãozinho, temos a “bonequinha” da Charlotte-Ghostgirl, a diagramação cuidadosa e igualmente bela, a história em si é encantadora.

Tonya Hurley havia trabalhado como assessora da banda The Cure, ela se serve de diversos elementos da cultura gótica em seu livro, várias situações comuns para adolescentes americanos na high school. Certo, os elementos são os mesmos compartilhados por diversas séries de TV, como Buffy The Vampire Slayer, por exemplo, em que se tem, de um lado, os grupinhos das cheerleaders, das garotas populares, do menino mais desejado da escola… Aí você deve estar se perguntando: mas isso tudo não é muito clichê?

Na verdade, os clichês existem, mas isso não tira o mérito da história de Ghostgirl. Eu amei o livro ― minhas exigências incluem originalidade, lógico, e original é a forma como Tonya foi desenvolvendo sua história, para uma temática com a qual quem já leu vários livros sobre high school e/ou viu várias séries e filmes, como eu, abordando estes temas, já está bem acostumado.

E em Ghostgirl, a evolução das personagens é um dos pontos mais fortes ― e não só de Charlotte, a personagem principal, que era uma espécie de “garota invisível” na escola, que não pertencia nem ao grupo dos estranhos, nem dos nerds, e menos ainda dos populares, que acaba morrendo de uma forma patética logo no início e passa o livro tentando lidar com sua morte.

Até em Kick Ass temos um personagem principal que não fazia parte de nenhum desses grupos, e, no caso dele, foi preciso que “se tornasse um herói” para fazer diferença no mundo. Com Charlotte, ela começa a fazer alguma diferença somente depois de morta. Porém, o tom do livro não é imensamente triste como se pode imaginar a princípio. Embora haja momentos depressivos, pude notar muita influência da estética e abordagem burtonesca em Ghostgirl ― espero que os outros livros da série sejam tão legais quanto esse, pois já amei este primeiro livro e estou louca para ler os outros dois.

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Resenha da Graphic Novel: Sinal e Ruído – em capa dura – Neil Gaiman e Dave McKean

Essa é a minha segunda resenha de alguma obra do Neil Gaiman, depois do volume 2 de Coisas Frágeis. Sempre achei que teria muito mais dificuldade de escrever algo sobre as obras do criador de Sandman, porque, pelo menos de tudo que li dele até agora, há muito que se absorver, apreender, interpretar, e muitas vezes eu temia que as resenhas fossem ficar mais parecendo tratados, mas, afinal, além de dizer se uma obra é boa ou ruim, eu gosto de ver quais são os temas que ela aborda ― então, de agora em diante, vou passar a resenhar cada vez mais obras, tanto os livros quanto os quadrinhos, daquele que eu, admitidamente, considero meu autor predileto de todos os tempos. Porém falar de “Sinal e Ruído” não é uma tarefa fácil. Além de ter sido escrita por Neil Gaiman, ela foi criada em parceria com o também genial Dave McKean, e tem as marcas dos dois ― tanto do artista gráfico quanto do escritor.

Assim, em primeiro lugar eu tenho a dizer que a edição nacional da Conrad é linda. Ela tem as mesmas dimensões da versão importada {21,5 x 29,5cm}, e a tradução é bela, mantendo a poesia, a beleza tanto na narrativa em si quanto na escolha de palavras. Sinto muito prazer ao ler uma obra assim em português, especialmente quando é do meu escritor predileto. =]

Quem está acostumado com a arte de Dave McKean, seja por suas diversas obras em dupla com Neil Gaiman [como Sandman] ou em outros quadrinhos, como “Asilo Arkham” (em dupla com Grant Morrison), por exemplo, haverá de reconhecer seu estilo único em “Sinal e Ruído”. Estilo este que nos leva ao mundo não só do personagem principal, que descobre que [e isso não é spoiler] está morrendo de câncer quando estavam nascendo ideias para um filme sobre o suposto apocalipse que ocorreria no ano de 999 d.C. ― filme este que, segundo as previsões médicas, ele não dirigirá, pois já teria morrido, isso se conseguisse finalizar o roteiro. Não vou entrar em detalhes-spoilers sobre o andamento da história em si, mas passarei a abordar os elementos que compõem a narrativa e apresentarei os motivos pelos quais eu recomendo a leitura de “Sinal e Ruído” que, embora tenha um tom geral muito triste, é uma história belíssima que merece ser lida e relida.

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Resenha do livro: Coisas Frágeis 2

Neil Gaiman, sobre o título: “Parecia um belo título para um livro de contos. Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também.”

Em outros países ele é vendido como volume único, aqui a Conrad optou por lançar em 2 edições separadas. Fiquei muito atraída pelo título do livro – ou seria porque é do Neil Gaiman? Na verdade, foi pelos dois e decidi pegá-lo.

Acho interessante a relação de pavor-irritação de Neil Gaiman com aviões! Ele deixa isso transparecer tanto na sua escrita, quanto em seus tweets (citarei um trecho deste livro para exemplificar isso). Mas é interessante também que ele escreva em aviões, inclusive chega a contar uma história sobre algo que ele escreveu durante um vôo para Nova York na Introdução a “Coisas Frágeis 2”, na página 17. A primeira dica que deixo é que não pulem a introdução, há livros em que isso pode até ser feito, mas não é este o caso!

Quem já viu, leu, ouviu Neil Gaiman dar entrevistas, sabe ou, no mínimo, deve ter notado o amor que ele tem por suas obras e histórias e não apenas “escrever só para ganhar dinheiro”.  Embora, como ele mesmo diga, (risos), ele viva disso.

Esses paradoxos formam uma personalidade intrigante que são refletidas em suas obras, seja nos quadrinhos, em seus contos ou em seus romances. Eu sempre costumo indicar Sandman a quem pretende começar a ler algo de Neil Gaiman (é aclamado pelos críticos, e é a única história em quadrinhos que já ganhou o World Fantasy Award). Caso a pessoa não queira e/ou não tenha como ler tudo, recomendo a história “O Som de Suas Asas”, a primeira aparição da Morte, na edição originalmente lançada, Sandman número 8, “The Sound of Her Wings”.

Acredito que devemos uns aos outros contar histórias. É a coisa mais próxima de um credo que eu tenho – ou desconfio – algum dia hei de ter.

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