
Esse “livrinho”, com pouco mais de 90 páginas, não só me cativou, como me fez lê-lo “de uma sentada só”, como dizem por aí.
Quando li a sinopse e o primeiro capítulo, já vi que desejaria muito ler esse livro. O clima me lembrou muito filmes como Machete, Mercenários, a 3a temporada de 24 Horas, e muitos filmes sobre narcotráfico que envolvem especialmente mexicanos dos anos de 1990, claro. Mas o diferencial desse livro é único, e não é o sarcasmo e nem o humor negro: é a narração do ponto de vista de uma criança!

Resolvi fazer essa resenha alguns dias depois de ler o livro para me distanciar um pouco do efeito “uau” que senti logo depois da leitura. Continuo dando nota máxima para o livro, mas me recordei de algumas coisas interessantes.
Uma amiga minha, na maior inocência, deixou passando o filme “O Corvo” enquanto a filha de 3 anos (muito inteligente, mas, ainda assim, uma criança bem novinha) estava na sala com a gente, logo, vendo o filme… Depois de um tempinho, a menina veio até mim perguntar “Por que, se o cara lá é do bem, ela mata um monte de gente?” (referindo-se ao Eric Draven), e eu expliquei a ela, dando vários exemplos do próprio filme ― foi complicado, viu! ― que as coisas não são exatamente “preto-no-branco” e que existem os tons de cinza e nem tudo se divide entre “bondade” e “maldade”. Claro que expliquei em termos menos acadêmicos e mais adequados ao entendimento dela e deu certo. Mas, de modo geral, o pensamento de uma criança é sim desse jeito: bem e mal, sem as escalas de cinza que vamos aprendendo a discernir quando vamos crescendo (não apenas em idade e sim também com experiências).
Esse exemplo foi para apresentar a idéia do livro: o filho de um jefe do narcotráfico, um menino que se sente um príncipe solitário e que conhece poucas pessoas, pelo medo que o pai, lógico, de seu “trabalho” atingir o filho… Vemos todo o desenrolar da história da história sob a óptica dele, e seu desejo pelos hipopótamos anões da Libéria, e seu sarcasmo infantil, e as atitudes adultas ― boas, redutoras, péssimas, necessárias, tudo o que forma o mundo como ele é ― tudo isso sob esse prima do menino e, entre sorrisos e gargalhadas mesclados com aquela pontada de dor no coração toda vez em que somos lembrados de que a narrativa é feita por uma criança e aquilo dá uma certa dor…
Detalhe do relevinho aveludado da parte preta da capa:

“Aliás, os hipopótamos anões da Libéria são máquinas silenciosas de devorar mato. O nome disso é ser herbívoro, um comedor de ervas.”
Eu ia entremear essa resenha com as citações {já adianto que selecionei mais de 100… mas não é justo com vocês, heheh, seria roubar a surpresa geral colocar tudo, então vou me limitar a umas 10, o.k.?}, mas vou colocar abaixo de tudo a amostra do primeiro capítulo e entremear as citações com a entrevista com o próprio autor, vamos lá?
O que faz uma pessoa continuar em seu país natal, mesmo sabendo que ele está à beira de um colapso? Ou pior… se tiver abandonado seus cidadãos à própria sorte?

Vou começar tecendo alguns comentários gerais. Como, por exemplo, esse lance de “parceria”. Sim, muita gente que não tem blog pode nem entender como isso funciona no geral, e como funciona aqui com a gente. Muita gente se pergunta: “Se os blogs recebem esse livro de graça, é claro que não vão falar mal, porque senão não vão ganhar mais livros, não é?”
“O Livro Maldito”, como possa classificá-lo? Defini-lo?