Resenha dos quadrinhos em capa dura: As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham, O Terrível

Hergé era um artista bem habilidoso. Consegue exprimir emoções nos quadrinhos como ninguém. Ele criou junto com Tintim, em 1929, uma gama de personagens bem convincentes e cada um com seus trejeitos e histórias pessoais. Tintim deixou Hergé marcado para sempre na história e ganhou até um museu inteirinho dedicado a ele em sua terra natal, Bélgica, em 2009.

As histórias têm inspirações em sua vida pessoal, como vocês podem ver aqui, e são protagonizadas pelo jovem repórter Tintim. O mais legal é que as aventuras sempre começavam com uma inocência básica e envolviam o personagem na trama, conforme ele ia desvendando as conspirações e iam colocando-o cada vez mais em perigo e, além disso, sempre mostravam alguma coisa de outras culturas e diversos lugares do mundo, fugindo bastante do comum, principalmente para aquela época, como maldições Incas, o mistério do Homem das Neves, meteorito em alto mar, tesouro de piratas, roubos e até tráfico de drogas.

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Resenha da Graphic Novel: A Metamorfose – Adaptado por Peter Kuper

“A metamorfose” é um clássico do absurdismo, linha filosófica que também era seguida por Albert Camus (vide nossa resenha de O Estrangeiro aqui).

Nessa obra, de 1915, imediato pós-Primeira Guerra Mundial, Franz Kafka coloca seu personagem, Sam Gregor, em uma situação absurda que serve como metáfora para mudanças (as metamorfoses) pelas quais a vida de sua família passa diante do absurdo de ter o filho transformado em… um inseto.

Segundo os estudiosos de suas diversas traduções, em A Metamorfose, Kafka não desejava rotular Gregor como algum inseto específico, e sim mostrar a repulsa do próprio Gregor perante sua transformação, porém, “Ungeziefer”, a palavra que ele usa, foi traduzida como “barata”, “besouro do estrume” ou “escaravelho”, entre outros termos específicos, mas, na verdade, refere-se a insetos de modo geral. Segundo o escritor Vladimir Nabokov, que também era um lepidopterologista (o escritor, autor de “Lolita”), Gregor era uma espécie de besouro com asas capaz de voar.

Se você leu o clássico de Kafka, é bem possível que se interesse por essa versão em quadrinhos da obra, de cujos detalhes falarei mais adiante. Se ainda não leu, talvez vá gostar do mesmo jeito, pela reunião do traço eficaz de Peter Kuper, que deu vida ao absurdo, à tristeza, e ao chamado à reflexão por parte de Franz Kafka.

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Resenha do livro: Quadrinhos no Cinema

Recebemos esse livro já faz um tempinho para análise e resenha, mas embora já tenhamos lido alguns arcos de quase todos os citados no livro, quisemos esperar para assistir a todas as novas adaptações dos personagens.

Mesmo que você não tenha curtido alguma ou nenhuma das quatro adaptações, o livro tem um valor inestimável para os fãs desses personagens nos quadrinhos. Isso porque o foco principal do livro não fica especificamente nas novas adaptações, mas sim faz um apanhado geral muito legal dos personagens em várias mídias, visando principalmente a parte dos quadrinhos, construindo uma linha do tempo sobre os 4 personagens, seus melhores e piores momentos. Nostalgia total para colecionadores, mas também é um terreno propício para descobertas para os novatos em quadrinhos.

Já na Apresentação do livro, como se fosse para atiçar ainda mais a vontade de tê-lo, temos o seguinte trecho, que nos prepara para os muitos quilos de informações não só úteis como muito legais sobre esses personagens e seus universos nos quadrinhos e em outras mídias. Nem temos como comentar sobre tudo que o livro traz de bom na resenha, para não sermos desmancha-prazeres.

“Você sabia que antes do Thor da Marvel, houve um outro Thor, também baseado na mitologia nórdica? Ou que a recém-lançada série de desenhos do Lanterna Verde teve o visual dos personagens inspirados no desenho Os Incríveis? E que Robert E. Howard, criador do Conan, inventou seu primeiro personagem aos 10 anos de idade; e que ao se suicidar com um tiro, ainda sobreviveu oito horas em um hospital antes de morrer? Ou também que, em 1983, foi rodado na Turquia um filme com versões não-autorizadas do Capitão América (sem escudo ou asas na máscara!) e de um Homem-Aranha serial killer?” 

Como nos adianta o jornalista Dario Chaves nessa introdução, Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes nos brindam com quase 200 curiosidades relacionadas aos personagens nesse livro! Só por isso pessoas como nós, que adoram curiosidades sobre os personagens e os bastidores de sua criação/de seus criadores já ficam tentados a comprar o livro, não é? Mas nem é só isso, falaremos mais a seguir.

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Resenha da Graphic Novel: Yuri – Quarta-Feira de Cinzas – Daniel Og

Quando chegou aqui em casa, Yuri foi uma surpresa muito bem-vinda! Afinal, bem, nós gostamos MUITO de histórias de zumbis e- Calma, já falo sobre a história em si, etc., mas primeiro, vou falar da edição.

Nunca neguei que, sim, eu julgo um livro pela capa! Hehe E, novamente, a capa linda de Yuri (vejam detalhes nas fotos a seguir), quando ele ainda estava fechado, no plástico, já me chamou a atenção. É linda! O tom creme, a arte, as cores usadas nos arabescos atrás do caixão… Tudo tão perfeito! Aí eu abri a edição e… ahhhh, mais uma surpresa linda! Tem ilustrações também na parte interna, na capa e na contracapa!

Mais uma vez a Conrad caprichou em uma edição totalmente colecionável dessa HQ, com capa bonita e boa, papel interno também muito bom, ao contrário (infelizmente) de muitas edições de quadrinhos que são lançados no Brasil para baratear custos… fico muito feliz com o tratamento totalmente decente que a Conrad dá às obras em geral.

É, deve ter dado para notar o quanto sou exigente… sim, porque não sou como muita gente que acha que “porque é quadrinhos, pode ter papel ruim, etc.” Não. Quadrinhos são uma (belíssima) forma de arte. E merecem respeito. E, bem, essa edição de Yuri é uma bela adição à minha coleção de quadrinhos (nacionais e importados) ― como eu já disse, uma surpresa muito boa, e não só porque a capa é bonita, o papel é de qualidade e a edição, em si, é excelente.

A seguir, se vocês já estiverem curiosos para saber porque diabos eu adorei tanto essa HQ (com a qual dei altas gargalhadas, em um sábado com griBe, em que essa história fez a minha alegria!), sigam em frente.

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Resenha da Graphic Novel: A Trágica Comédia ou Cômica Tragédia de Mr. Punch – Capa dura

Sempre fui curiosa para saber de que se tratava essa Graphic Novel. Tive a oportunidade de lê-la apenas recentemente ― já que havia notado que tinha lido muito pouca coisa do Neil Gaiman além de Sandman, o que é vergonhoso, ao menos para mim, já que sou imensamente fã dele, e ando “tirando o atraso” nas leituras das obras de Gaiman. Aguardem mais resenhas de livros dele aqui xD

Bom, como começar? Acho que preciso dizer que o tom da graphic novel é bem triste… é linda a história, mas tem aquela melancolia típica de Sandman, só que com um toque de realidade meio assustador… porque é um relato de como uma criança criada em meio a adultos se sentia em relação ao mundo. Fiquei me perguntando como teria sido minha vida se eu tivesse sido criada apenas com adultos, pois, mesmo tendo sido criada, além de pelos meus pais, também pela minha avó, tive muito contato com pessoas da minha idade… E Mr. Punch fala disso. Da solidão e estranheza da vida de uma criança, que no caso, como diz o próprio Neil, é como se fosse ele, em uma versão “mais bizarra”, digamos assim.

A combinação da escrita de Neil Gaiman com a arte de Dave McKean é impressionante. Já li várias coisas feitas pelos dois, como, por exemplo, “Sinal e Ruído”, que resenhei aqui. Só que, se a tristeza tem um tom de esperança em “Sinal e Ruído”, como “Mr. Punch” é mais intimista, mais pessoal, é um outro nível de melancolia.

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Resenha da Graphic Novel: Cowboys & Aliens

Eu já havia visto o prólogo dessa linda graphic novel de “Cowboys & Aliens” em um site internacional, onde colocaram as primeiras páginas como amostra, para deixar a gente com gostinho de “queiro mais. E estranhei, pelo que vi dos trailers do filme, a falta de um dos elementos mais cruciais: os índios!

Sim, como vocês podem ver pelas imagens do prólogo (veja aqui em inglês a amostra), os alienígenas, os invasores na história da HQ, são equiparados aos homens brancos que roubaram, durante a dominação americana da época do Velho Oeste, as terras dos índios.

Prólogo

“Acreditavam que tinham o direito ― até mesmo o dever… de dominar os “índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida é a guerra sem distinção de idade, sexo e condições.” – citação da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, do prólogo da história, logo na segunda página.

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Resenha da Graphic Novel: Sinal e Ruído – em capa dura – Neil Gaiman e Dave McKean

Essa é a minha segunda resenha de alguma obra do Neil Gaiman, depois do volume 2 de Coisas Frágeis. Sempre achei que teria muito mais dificuldade de escrever algo sobre as obras do criador de Sandman, porque, pelo menos de tudo que li dele até agora, há muito que se absorver, apreender, interpretar, e muitas vezes eu temia que as resenhas fossem ficar mais parecendo tratados, mas, afinal, além de dizer se uma obra é boa ou ruim, eu gosto de ver quais são os temas que ela aborda ― então, de agora em diante, vou passar a resenhar cada vez mais obras, tanto os livros quanto os quadrinhos, daquele que eu, admitidamente, considero meu autor predileto de todos os tempos. Porém falar de “Sinal e Ruído” não é uma tarefa fácil. Além de ter sido escrita por Neil Gaiman, ela foi criada em parceria com o também genial Dave McKean, e tem as marcas dos dois ― tanto do artista gráfico quanto do escritor.

Assim, em primeiro lugar eu tenho a dizer que a edição nacional da Conrad é linda. Ela tem as mesmas dimensões da versão importada {21,5 x 29,5cm}, e a tradução é bela, mantendo a poesia, a beleza tanto na narrativa em si quanto na escolha de palavras. Sinto muito prazer ao ler uma obra assim em português, especialmente quando é do meu escritor predileto. =]

Quem está acostumado com a arte de Dave McKean, seja por suas diversas obras em dupla com Neil Gaiman [como Sandman] ou em outros quadrinhos, como “Asilo Arkham” (em dupla com Grant Morrison), por exemplo, haverá de reconhecer seu estilo único em “Sinal e Ruído”. Estilo este que nos leva ao mundo não só do personagem principal, que descobre que [e isso não é spoiler] está morrendo de câncer quando estavam nascendo ideias para um filme sobre o suposto apocalipse que ocorreria no ano de 999 d.C. ― filme este que, segundo as previsões médicas, ele não dirigirá, pois já teria morrido, isso se conseguisse finalizar o roteiro. Não vou entrar em detalhes-spoilers sobre o andamento da história em si, mas passarei a abordar os elementos que compõem a narrativa e apresentarei os motivos pelos quais eu recomendo a leitura de “Sinal e Ruído” que, embora tenha um tom geral muito triste, é uma história belíssima que merece ser lida e relida.

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Resenha da graphic novel Maus: A História de um Sobrevivente

Maus: A História de um Sobrevivente (A Survivor’s Tale), é uma graphic novel publicada em 1986, escrita e desenhada por Art Spiegelman, com base nas histórias contadas pelo pai, judeu polonês sobrevivente do holocausto.
 O que o torna especial diante dos infinitos relatos sobre o período, além dos traços marcantes do autor, foi a não omissão de detalhes, lembranças e gestos do pai do ilustrador na tentativa de torná-lo heróico ou qualquer coisa próxima a isso, mantendo-o e a todos que sobreviveram, como figuras essencialmente humanas, com defeitos, qualidades e naturalmente, traumas. 
Além de não esconder detalhes sobre as histórias do pai, Art inclui também uma história que havia publicado anos antes onde ilustra um desabafo do próprio autor em relação ao suicídio da mãe durante sua infância.

Inicialmente publicado aos poucos na revista americana RAW, Maus também foi divido em dois volumes em diversos países, inclusive no Brasil pela editora Brasiliense e finalmente em um volume único, publicado pela Cia. Das Letras em 2005.
 Art Spiegelman ganhou em 1992 o prêmio Pulitzer, criado em 1917 e administrado por uma bancada da univerdade de Columbia, NY.

Um pouco sobre o nome escolhido:
O nome da graphic novel, embora tenha a coincidência de ser uma palavra para descrever um agressor em português, significa “rato” em alemão. Além da aparência superficial, encontramos outra interessante: Há uma espécie egípcia de gato chamada “Mau”. Tido por muitos especialistas como a espécie de gato mais antiga de que se tem conhecimento, muito provavelmente a primeira espécie desse animal doméstico como o conhecemos hoje em dia.

Resenha da Graphic Novel: Príncipe da Pérsia – Galera Record

Se você não curtiu o filme “Príncipe da Pérsia”, ou até achou legalzinho, mas poderia ser melhor… mas curte o jogo, histórias orientais, e uma história em quadrinhos com ótimo roteiro, bem desenvolvida e com uma leitura que flui, essa graphic novel precisa ir pra sua estante!

O criador do jogo, Jordan Mechner, sonhava em escrever o roteiro de uma HQ desde os 12 anos. Inclusive, não deixem de ler o posfácio escrito por ele nessa edição maravilhosa, com acabamento excelente, tradução impecável de Odair Braz Jr., lançada pela Galera Record. Quem me conhece sabe o quão sou exigente em termos de livros… e quadrinhos também. Isso aqui não é uma propaganda, mas sim as palavras de quem curtiu demais essa graphic novel a ponto de “devorá-la” em uma leitura ininterrupta.

Segundo o próprio Jordan Mechner:

Como surgiu o jogo?

Quando eu tinha 12 anos passava a maior parte do meu tempo livre desenhando histórias em quadrinhos. Sonhava com um futuro cheio de papel para desenho, réguas T, tinta e pincel. E aí foi criado o Apple II.

E de onde surgiram os personagens?

Eu devo tê-los encontrado antes em algum lugar, mas onde? Talvez em algum livro ilustrado de história que li quando criança. Ou na TV, tarde da noite, naquele tempo em que os filmes eram fascinantes e que você não tinha como comprá-los ou pausá-los. Podia apenas vê-los enquanto eram exibidos e não tinha noção de quando ou se teria algum dia a chance de vê-los novamente. Continue reading

Review de Batman – Cacofonia (novembro de 2009)

Contém alguns spoilers!
review_cacofonia_1“Batman – Cacofonia”
é uma série em 3 partes reunida em uma única revista, lançada no Brasil pela Panini Comics em novembro de 2009. Com roteiro de Kevin Smith, co-fundador da View Askew Productions, conhecido como roteirista de quadrinhos e ator, bem conhecido entre as pessoas como o Silent Bob, da dupla Jay e Silent Bob, em diversos filmes, entre eles “Dogma”, “Jay and Silent Bob Strike Back (O Império do Besteirol Contra Ataca), fã de Star Wars, como se nota no título deste filme (cujo trocadilho foi mantido em português), por exemplo, assim como na referência à luta com os Sabres de Luz. Percebe-se, no roteiro de “Cacofonia”, o humor típico de K. Smith, como sua marca registrada deixada nesta história do Batman. Também faz, por meio do Coringa, várias referências ao cinema (entre eles “Velocidade Máxima” e “A Família Addams”).

Em “Cacofonia”, Batman, além de ser caçado tem de lidar com o vilão Victor Zsasz, um personagem no universo da DC Comics que é um serial killer e inimigo de Batman, com um M.O. de matar com uma faca e entalhar uma marca de contagem em algum lugar de seu corpo para cada vítima morta, cuja primeira aparição foi em “A sombra do morcego”, de 1992.

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