
Em primeiro lugar, devo dizer que a capa desse livro é ma-ra-vi-lho-sa! A ilustração é linda, e, como vocês poderão ver nas fotos abaixo, a parte interna da capa dele também é roxa (além de o título, Um trabalho sujo, ser em relevo e com verniz). E como se não bastasse essa coisa linda toda… a capa tem textura, bem similar à de Insaciável.
E, como eu sempre me pergunto, quando vejo um livro com uma capa linda demais: será que o livro é bom?
Esse livro não é bom, a história dele é excelente, isso sim! A criatividade do autor, mesclada com uma boa dose de humor negro, em um clima de mitopunk (vide a resenha de Deuses Americanos, do Neil Gaiman, sobre mitopunk), deixou a obra algo simplesmente peculiar, interessante, engraçado em alguns pontos, e dramático em outros.
A mitologia criada/adaptada pelo autor é muito interessante ― temos os “coletores de almas”, tipo os Reapers, ceifadores, como naquela série Dead Like Me (alguém se lembra dela?) Mas as coisas não param por aí. Desde cães infernais, referências ao Livro tibetano dos mortos, deuses da Morte que se esgueiram pela cidade… muita coisa legal em uma mescla de mitopunk com dramas pessoais e muitas situações engraçadíssimas – para quem curte humor negro, lógico ^^
Quer saber mais detalhes sobre a trama e o que achei das situações do livro, do enredo, enfim, de tudo de modo geral? É só continuar a ler a resenha =]

Essa vai ser uma resenha difícil. Por quê? Porque eu me sinto meio estranha indicando um livro que, por um lado, é excelente, sério, a narrativa, os personagens, as críticas feitas pela autora, o ritmo, galopante, de aventura em que duas crianças começam a investigar desaparecimentos que começam com o de Katharina e continuam, em uma cavalgada intensa e tensa, que nos levam ao final… e é aí que encontrarei dificuldades para convencer vocês dos motivos pelos quais vale ― e muito ― a pena ler esse livro. Porque ele é tenso, intenso, repleto de dramas pessoais em meio a um turbilhão de acontecimentos em uma cidade pequena da Alemanha, em uma história que começa de um jeito tragicômico, em que a avó de Pia, a narradora do livro, explode… bem, ela não explode exatamente… ela pega fogo por causa do mau uso de um laquê mais fósforo e buum!
Quem nunca assistiu nenhum filme ou leu algum livro sobre máfia? Assunto tão presente no cenário cultural, mas muitas vezes nos perguntamos por que sempre os filmes e livros de máfia são de décadas passadas? E mesmo sendo assim são tão belos e românticos, na contramão dessa tendência chega o livro adaptado para um filme homônimo “Gomorra”, escrito por Roberto Saviano.