
Bom, vou começar a minha resenha deste primeiro livro da trilogia Millennium falando sobre como não tive interesse de lê-lo a princípio, e, depois, como ele me cativou.
No ano passado, ouvi muito falar de um “tal” filme sueco chamado “Man som hatar kvinnor” (o nome original em sueco ― depois falo sobre isso) e fiquei com os dois pés atrás de vê-lo porque tem algo que odeio (e quem gosta? Só se for um ser sinistro e repulsivo): estupro.
Bom, enrolei, enrolei, enrolei… Mas num belo dia fui convencida a ver porque a Bárbara do NUPE disse que o filme não era só sobre isso… e não é mesmo! Mas não se iludam, não é só sobre estupro, mas sobre ódio de homens por mulheres, o que acontece na Suécia, sim, mas que também acontece em outras partes do mundo, então seria muita ingenuidade achar que é um problema só deles… Também será publicado aqui outro artigo sobre os filmes sueco e americano, então aqui vou me concentrar no livro em si.

O livro é muito mais do que um livro sobre estupro, embora Stieg tenha escrito a trilogia numa forma de “redenção” por não ter ajudado uma garota que fora estuprada. Ele também era jornalista, assim como o personagem principal, Mikael, então podemos especular que a trilogia “Millennium” seja um “What if…?” do que poderia ter acontecido se tivesse ajudado a garota. Stieg Larsson era editor-chefe da revista Expo e um líder-especialista no tocante a extremistas antidemocráticos de extrema direita e organizações nazistas. Morreu em 2004, logo após entregar para publicação os manuscritos dos três livros que compõem a trilogia “Millennium”. Mas a história é bem mais complexa do que aparenta o primeiro volume.
Vamos lá?


Uma amiga minha, na maior inocência, deixou passando o filme “O Corvo” enquanto a filha de 3 anos (muito inteligente, mas, ainda assim, uma criança bem novinha) estava na sala com a gente, logo, vendo o filme… Depois de um tempinho, a menina veio até mim perguntar “Por que, se o cara lá é do bem, ela mata um monte de gente?” (referindo-se ao Eric Draven), e eu expliquei a ela, dando vários exemplos do próprio filme ― foi complicado, viu! ― que as coisas não são exatamente “preto-no-branco” e que existem os tons de cinza e nem tudo se divide entre “bondade” e “maldade”. Claro que expliquei em termos menos acadêmicos e mais adequados ao entendimento dela e deu certo. Mas, de modo geral, o pensamento de uma criança é sim desse jeito: bem e mal, sem as escalas de cinza que vamos aprendendo a discernir quando vamos crescendo (não apenas em idade e sim também com experiências).


Tive meu primeiro contato com Tintim nas tardes da TV. Assistia à animação sem perder nenhum episódio. Cheguei a ver em torno de 3 vezes cada um. Demorei um tempo até descobrir os quadrinhos e começar a lê-los um por um.







Esse livro deveria servir de alerta, mas vira e mexe, as pessoas atentas podem notar com clareza tentativas constantes do governo e de empresas de usar algumas das ideias do livro. Não especificamente do livro, pois o imaginário humano é imenso, mas é fácil de se perceber porque milhares de pessoas veneravam Orwell e o chamavam de profeta já que ele escreveu o livro em 1948, prevendo algumas coisas bem semelhantes que aconteceriam no mundo.
Em segundo lugar, não posso falar das melhores coisas que há nele, frases estas que nunca mais esquecerei na vida, pois são todas spoilers e isso fugiria muito do estilo que seguimos aqui. Esse livro é bom o suficiente para se escrever um TCC inteiro sobre ele. Fala muito mais do que uma simples história, é um tapa na cara da sociedade e de como o ser humano é frágil e dependente de um sistema que diga a ele o que deve ser feito.

Ainda dá tempo de participar 