Coluna: 3 Livros legais que encontramos para vocês #2

Voltamos com a “segunda edição”, hehe, dessa coluna. Em dezembro, parece que me ligaram no 220 e eu estou lendo/li muitos livros legais! O primeiro, eu li agora, em dezembro, o segundo, faz um tempinho já, e o terceiro é indicação do nosso colaborador, Bruno Varela. E, como de costume, os três livros são bem diferentes uns do outros. Então, sem mais delongas, vamos ao primeiro livro que vamos indicar aqui dessa vez:

1. Bela Maldade – Rebecca James (Editora Intrínseca)

Bem, além de a capa ser linda… o que mais podemos esperar desse livro?

Seguindo o molde do blog 365daysofreading , vou apontar 5 coisas ótimas desse livro indicado aqui:

  1. Tensão psicológica elevada à décima potência.
  2. Narrativa alternando passado mais distante, passado próximo e presente – o que só faz aumentar nossa agonia para terminar de ler logo o livro, virando a página uma atrás da outra, em capítulos curtos e alternados, até chegarmos logo à conclusão.
  3. Personagens bem caracterizados, aprofundados e totalmente verossímeis (tão verossímeis que chega a dar medo… parece que a gente está lendo uma narrativa de algo que realmente aconteceu…)
  4. Temáticas tensas e ações que nos levam a questionamentos de nossas vidas, das vidas dos outros. É um livro para levar o leitor a refletir sobre sua vida, a vida dos outros, o mundo, o ser humano, o que é maldade… enfim, um livro para levar você a pensar, não é um livro para entretenimento puro e simples.
  5. Suspense. Embora você já saiba de antemão que alguns personagens estarão mortos, você vai se perguntar e querer saber o que houve, e é justamente no como que a autora é genial. Vai revelando detalhes aos poucos, de forma belamente assombrosa.

A seguir deixamos aqui o BookTrailer em alemão (não faço idéia do que está escrito nem sendo dito, mas é lindo). Detalhe para a entonação de propaganda de perfume, risos :-P

Continue reading

Resenha do livro: Emily the Strange – Os Dias Perdidos

Em “Emily The Strange: Os dias perdidos”, Emily está desmemoriada em uma sinistra e altamente bizarra cidadezinha chamada Blackrock. O nome da cidade tem tudo a ver com um mistério que envolve não somente a cidade, quanto a própria Emily ― que não se recorda nem do próprio nome. Munida com um estilingue e um caderno-diário em branco, sem lembranças de quem ela é, nem do que está fazendo naquela cidade estranha… somos levados, em uma narrativa naquele estilo adoravelmente nonsense e “estranho” pela aventura de Emily em Blackrock.

Em uma belíssima edição encadernada, com “dust jacket”, um acabamento maravilhoso (que vocês podem ver nas fotos do slideshow), a Galera Record lançou este primeiro livro da Emily The Strange.

Para quem não conhece sua origem, Emily é um ícone da contracultura da década de 1990, uma espécie de heroína gótica que ama gatos, música, é uma artista, sonhadora, inventora, cientista. Era uma garota estranha, claro, com humor ácido e cujas observações culturais e filosóficas eram estampadas em camisetas e adesivos.

Conforme a imagem de Emily The Strange foi se tornando uma espécie de padrão no underground cultural, amada por tanto góticos quanto skatistas, para não dizer, por pessoas de quase qualquer estilo, começaram a surgir livros e histórias em quadrinhos de Emily The Strange, e “Emily The Strange ― Os dias perdidos” é o primeiro “romance”, por assim dizer, Young Adult, com Emily como não só a personagem principal, como o elemento grandioso em uma história que, embora tenha diversos elementos nonsense em sua trama, parecendo uma de uma história nonsense gótica que pega emprestado alguns elementos de Alice no País das Maravilhas, é extremamente bem construída e surpreendente.

Continue reading

Resenha da graphic novel Maus: A História de um Sobrevivente

Maus: A História de um Sobrevivente (A Survivor’s Tale), é uma graphic novel publicada em 1986, escrita e desenhada por Art Spiegelman, com base nas histórias contadas pelo pai, judeu polonês sobrevivente do holocausto.
 O que o torna especial diante dos infinitos relatos sobre o período, além dos traços marcantes do autor, foi a não omissão de detalhes, lembranças e gestos do pai do ilustrador na tentativa de torná-lo heróico ou qualquer coisa próxima a isso, mantendo-o e a todos que sobreviveram, como figuras essencialmente humanas, com defeitos, qualidades e naturalmente, traumas. 
Além de não esconder detalhes sobre as histórias do pai, Art inclui também uma história que havia publicado anos antes onde ilustra um desabafo do próprio autor em relação ao suicídio da mãe durante sua infância.

Inicialmente publicado aos poucos na revista americana RAW, Maus também foi divido em dois volumes em diversos países, inclusive no Brasil pela editora Brasiliense e finalmente em um volume único, publicado pela Cia. Das Letras em 2005.
 Art Spiegelman ganhou em 1992 o prêmio Pulitzer, criado em 1917 e administrado por uma bancada da univerdade de Columbia, NY.

Um pouco sobre o nome escolhido:
O nome da graphic novel, embora tenha a coincidência de ser uma palavra para descrever um agressor em português, significa “rato” em alemão. Além da aparência superficial, encontramos outra interessante: Há uma espécie egípcia de gato chamada “Mau”. Tido por muitos especialistas como a espécie de gato mais antiga de que se tem conhecimento, muito provavelmente a primeira espécie desse animal doméstico como o conhecemos hoje em dia.

Resenha do livro: Necronomicon – As Peregrinações de Alhazred

madras_livro_18Autor: Donald Tyson, publicado pela Editora Madras.

Originalmente, o Necronomicon é o famoso (e, para alguns, infame…) livro proibido criado por H. P. Lovecraft, referenciado em quase toda sua obra literária. Ele é citado em diversas obras de outros atores, incluindo letras de músicas, videogames e filmes, como Evil Dead – A Morte do Demônio. Porém, ao contrário do intuito trash/B deste filme, nesta obra que assusta a muitos e atrai a outros tantos, Donald Tyson faz uma releitura perfeita e magnânima das idéias dos seres não-humanos que habitam a Terra…

Narrado por Abdul Alhazred*, um personagem fictício criado por H. P. Lovecraft, por intermédio de suas peregrinações, tomamos conhecimento de fatos que não parecem são absurdos, se analisados com uma mente aberta e um olhar atento aos detalhes.

A obra ainda contém inúmeras notas de rodapé, situando melhor ainda o leitor neste mundo magnânimo de seres míticos e elementos de nossa cultura e história. Monstros bíblicos que não se diferenciam nem um pouco dos seres dos Mitos de Cthulhu, o horror e o fantástico mesclado à realidade de forma espantosa e inebriante.

Continue reading