Resenha do livro: A Sombra Vinda do Tempo – H. P. Lovecraft

Uma caçada no tempo. É com isso, mas não só com isso, claro, que nos deparamos nessa obra de H. P. Lovecraft. Já comentamos sobre o estilo do autor, como vocês podem ver na resenha de Nas montanhas da loucura, na resenha de Um sussurro nas trevas e na do O Caso de Charles Dexter Ward. Então, a princípio, vou me focar na obra em si, em mais uma bela tradução trazida ao público, dessa vez, em de “The Shadow Out of Time”.

A história lida com viagem no tempo, um tema que costuma ter muitos buracos, pois há diversos paradoxos que muitos autores não conseguem resolver em seus livros e/ou filmes sobre o tema. O que achei mais interessante é que são as mentes que viajam no tempo, no corpo de um hospedeiro, digamos assim, enquanto a mente original está no futuro, a mente do hospedeiro fica no corpo do hipnotista, no passado, e ambos vivenciam experiências, e quando a mente que foi ao passado volta para o futuro, sobram as pseudomemórias (que muitos de nós chamamos de déjá vu), que, nessa noveleta de Lovecraft, compõem grande parte do terror do personagem que vai descobrindo, aos poucos, que foi “tomado” por uma mente alienígena do passado. Terrível, não? Com uma boa mescla de histórias de ladrões de corpos, com a mitologia lovecraftiana dos deuses alienígenas, ela segue nos contando, em primeira pessoa, como de costume em suas obras, a história do homem que passou por tal experiência… como ela lida com isso? O que pode ser esperado dessa obra tão ousada, ainda mais para e época em que foi escrita? Leia mais a seguir.

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Resenha do livro: Emergência – Neil Strauss

O que faz uma pessoa continuar em seu país natal, mesmo sabendo que ele está à beira de um colapso? Ou pior… se tiver abandonado seus cidadãos à própria sorte?
Como uma pessoa que está habituada a viver em uma cidade pode sobreviver no caso de um governo parar completamente todos os serviços essenciais?
Quantos dias você aguentaria sem o serviço de luz, de água, de telefone, de internet?

Pois é, ao contrário do que pode parecer, esse não é um livro distópico, Neil Strauss, o autor do livro, descreveu em suas páginas coisas que ele realmente fez. Neil era um cara comum, relativamente conhecido em sua área com contatos bem importantes e influentes no jornalismo musical, e fazia entrevistas, além de escrever para colunas de jornais. Também chegou a lançar alguns livros, mas nenhum tendo a ver com o escopo de “Emergência”, o que torna tudo mais impressionante, pois ele acaba querendo dizer que se ele pôde fazer tudo que descreve nesse livro, você também pode.

Ao olhar para a jornada dele depois de terminar de ler o livro, leva a gente a refletir um pouco sobre a vida que levamos. Que viagem impressionante!

“E como o futuro é desconhecido, não importa o quanto as coisas estejam bem ou mal hoje, ele será sempre uma ameaça. Portanto, no fim das contas, só o que acontecerá amanhã poderá determinar o que é paranoia e o que é bom senso. Você só é paranoico se estiver errado. Se estiver certo, é um profeta.”

Vamos lá?

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Resenha do livro: Fome (livro 2 da série Gone) – Michael Grant

“A fome era como um leão dentro dela, rasgando suas entranhas.”

Se você ainda não leu Gone ― O Mundo Termina Aqui, leia a resenha dele aqui, claro, isso se o panorama geral abaixo, antes da quebra do artigo, fizer com que você se interesse por essa história.

Introduzindo a situação, essa é uma série de ficção científica. Bem, você pode pensar em sair correndo agora, certo? Se você já não for fã e talvez tenha aquele pavor inicial que muita gente tem quando se fala em ficção científica. Pois bem, o curioso é que muita gente que diz que não gosta de ficção científica, como bem disse a B., tem o 1984 (resenha aqui) como livro de cabeceira. E/ou adoram Jogos Vorazes, um dos distópicos famosos recentes.

Não vou discorrer aqui sobre distopia, se você ainda não sabe o que é, também já falamos sobre isso aqui, na resenha de Feios, do Scott Westerfeld. Pois bem, Gone é uma série distópica. E não é para os fracos de coração. O nível de violência dos adolescentes nessa série é terrível. Eu sofri muito lendo o primeiro volume da série, até hoje as imagens de mãos acimentadas me apavora. E se passou mais de um ano entre a leitura do primeiro e do segundo volume da série. E ainda me recordo das cenas descritas em Gone. É tenso. É forte. E Fome é tudo isso, e um pouco pior. Ou muito, tudo vai depender do seu estômago. Sugiro que não o leia logo depois de almoçar ;)

No entanto, não pensem que todas essas coisas negativas que falei acima são motivos para não ler esses livros. Pelo contrário. Leia-os. Sinta os dramas. Reflita. Em um mundo sem adultos, as “crianças” fazem coisas de assustador à pessoa mais preparada psicologicamente. E, embora muita gente tenha comparado o volume 1 a O Senhor das Moscas, e haja elementos em comum, como a selvageria e o regresso ao estado primitivo do ser, no LGAR eles não estão em nenhuma ilha paradisíaco, como em O Senhor das Moscas, e sim em um lugar aterrorizante e cheio de mutações. Além disso, embora haja outras similaridades sem ser as que já citei, a alegoria do livro está na transformação de um garoto em uma Besta, já que O Senhor das Moscas é uma referência a Beelzebub e, portanto, à demonização do garoto.

A série Gone não pretende entrar em discussões alegoricamente religiosas. Pelo menos não nesses dois primeiros livros. Embora algumas pessoas se questionem sobre a existência de um Deus, etc., algo normal em uma situação apocalíptica como essa deles, em que os adultos simplesmente pufaram, os focos são outros. Portanto, que fique claro isso: a série Gone não é uma versão e nem uma cópia de O Senhor das Moscas. ;)

A seguir, as informações conterão spoilers sobre o livro 1, portanto, se você não o leu ainda, como eu disse lá em cima, veja a resenha dele aqui em vez de seguir em frente. =)

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Megapromo de Fim de Ano 2011: Kits de livros, quadrinhos, action figure, brindes, etc. até dia 23 de janeiro de 2012

As renas estão todas bêbadas com eggnog… então seremos nós que ajudaremos a entregar os presentes! :-P

Nesse fim de ano, depois do nosso aniversário de 2 anos de blog, passamos de 400 mil visitas. Ganhamos uma hospedagem nova, novas parcerias, novos leitores e muitos amigos, claro. Ficamos bem contentes com a participação de todos, com o entusiasmo e tentamos sempre retribuir da maneira que podemos. Voltamos com uma megapromo, tão grande quanto a anterior. Ainda vamos ter uma montanha de resenhas e, é claro, mais uma promo inteirinha de brindes, marcadores e bottons por volta da virada do ano.

Cada 1 terá uma chance para ganhar cada item escolhido. Os participantes poderão escolher quantos itens quiserem da lista (ou todos, claro) e dizer o motivo porque desejam o item (pode ser breve, mas não muito). Só que, dessa vez, vamos facilitar as regras e acrescentamos uma coisa bem interessante:

Se você escolher mais de 10 itens da lista, terá 3 chances extras para concorrer a um item específico da lista que você mais deseja ganhar!

Aos “promonautas/caça-promoções”, esqueçam, caso seja descoberto que o perfil do ganhador do item seja exclusivamente (ou quase) voltado para promos, ele será desclassificado. Ou seja: mais chances para nossos seguidores que não fazem de promoções uma profissão. Boa sorte, pessoal :-D

Segue a pequena lista de coisas lindas que separamos pra vocês:

  • 1 Action figure da DC – Canário Negro
  • 1 Kit com um livro Morto até o Anoitecer e o chaveiro do livro Filha da Tempestade
  • 1 Capa protetora impermeável para proteger seus livros + 1 bloquinho
  • 2 Marcadores de livro de imã – Darth Vader e outro de Gato fofo
  • 1 Graphic novel do Mestre/Deus Neil Gaiman
  • 2 Graphic novels Guerra 1939-1945
  • 2 HQs de Calvin e Haroldo
  • 2 colares com pingentes de acrílico da casa Stark, de Guerra dos Tronos.
  • E, é claro os livros. Separamos 19 livros pra vocês!

Vamos lá? Não se preocupem que lá embaixo no post terá uma lista para vocês copiarem e colarem os itens nos comentários. Podem ler tranquilamente e selecionar depois os que mais curtirem.

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Resenha do livro: 1984 – George Orwell

Esse livro deveria servir de alerta, mas vira e mexe, as pessoas atentas podem notar com clareza tentativas constantes do governo e de empresas de usar algumas das ideias do livro. Não especificamente do livro, pois o imaginário humano é imenso, mas é fácil de se perceber porque milhares de pessoas veneravam Orwell e o chamavam de profeta já que ele escreveu o livro em 1948, prevendo algumas coisas bem semelhantes que aconteceriam no mundo.

Em primeiro lugar, não vou tentar escrever uma análise profunda sobre o livro. Isso coube aos posfácios presentes no livro, que analisam alguns pontos bem cruciais da trama além de um trecho no livro que analisa como a sociedade acabou chegando àquele ponto na trama.

Em segundo lugar, não posso falar das melhores coisas que há nele, frases estas que nunca mais esquecerei na vida, pois são todas spoilers e isso fugiria muito do estilo que seguimos aqui. Esse livro é bom o suficiente para se escrever um TCC inteiro sobre ele. Fala muito mais do que uma simples história, é um tapa na cara da sociedade e de como o ser humano é frágil e dependente de um sistema que diga a ele o que deve ser feito.

Em terceiro lugar, explicações corriqueiras, ou que possam ser encontradas no próprio posfácio do livro, como divisão de poder, comparativo da história do livro com a história real do nosso mundo e outros detalhezinhos que o pessoal deveria saber, não tratarei aqui, até sobre o que é o “socing” (INGSOC em inglês), deixo para o pessoal pesquisar. Já solto um aviso que é legal o pessoal ler o livro antes de assistir ao filme, a emoção é bem maior na leitura. Aqui abordarei o essencial (e até que ficou bem grande).

Não tenho nada contra as resenhas que explicam demais do livro, mas convenhamos que há um punhado de resenhas que parecem mostrar cada detalhe específico só pra se mostrarem os tais, sendo que muitos desses detalhes são muito, mas muito mais potentes de serem descobertos na leitura (inclusive frases, quem está contra quem e situações específicas). O ideal é que a pessoa tenha apenas um conhecimento básico de história mundial e já parta para a leitura. Espero que curtam, embora já avise para preparar muitos lenços, por que até eu chorei… e muito. ;-)

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Resenha do livro: Especiais – Livro 3 da Série Feios – Scott Westerfeld

Ao arrancar as pétalas, você não nota a beleza da flor. ― Rabindranath Tagore, Pássaros Perdidos

Se você não leu Feios e nem Perfeitos ainda, sugiro que não leia esta resenha até o fim. Não clique em “ler mais”, pois, a não ser nessa introdução, infelizmente, não há como não mencionar eventos dos dois primeiros livros, já que Especiais é praticamente a conclusão da trilogia.

Sim, temos um quarto livro, Extras, mas a história dele se passa no mesmo mundo de Feios, Perfeitos e Especiais, porém, são quinze anos no futuro, portanto, apesar de Tally Youngblood ser a personagem principal em Feios, Perfeitos e Especiais, ela não é a principal em Extras; então, em Especiais, podemos dizer que é a conclusão da história dela. Por assim dizer.

E dizer que essa é a última vez em que Tally será a personagem principal não é spoiler. Acho importante saber que a história dela é concluída neste volume da série.

Posso adiantar, antes da quebra do artigo, que Tally passa por transformações, o que não deixa de ir acontecendo desde o primeiro livro, mas ela não é a mocinha típica que muitos esperam em livros. Ela é uma personagem bem humana neste mundo distópico criado por Scott Westerfeld, e, por ser humana, ela comete muitos erros… o que não é um ponto ruim, pelo contrário, na verdade, é bem realista a história, mesmo com os elementos típicos de ficção científica distópica (ou até mesmo por causa disso, já que a ficção científica tende a mostrar coisas que as pessoas, de forma geral, preferem ignorar, servindo-se de futuros distópicos, por exemplo, para mostrar “defeitos” dos indivíduos e da sociedade de uma forma bem realista…) Eu ousaria dizer até que a Série Feios é ultrarrealista, por mais absurdista que ela possa parecer para muitos. No final desta resenha, colocarei alguns vídeos e algumas referências a “evoluções” na tecnologia que a maioria das pessoas não nota… e que são assustadoras. Do jeito que caminham as coisas, seres humanos “amped” {amplificados, super-humanos} deixarão de ser personagens de ficção científica, de cyberpunk, para conviverem conosco no dia a dia. Chega a ser assustador.

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E, se as descobertas em Perfeitos foram assustadoras… O caminho trilhado pelos personagens e pela sociedade deste mundo “pseudo-Perfeito” em Especiais tende a ser ainda pior. Não é uma série, como frisei já desde a primeira resenha, para quem busca romances e finais felizes. É uma série de descobertas, em que pessoas legais se dão mal por suas escolhas… e pessoas boas acabam sofrendo fins terríveis porque outros fizeram escolhas que os prejudicaram. E é um mundo em que pessoas não tão legais se dão bem… O que não é tão diferente assim de nosso próprio mundo real ― em que nem sempre, ou melhor, quase nunca, as soluções fáceis estão à mão, e menos ainda… em que “finais felizes” fazem parte do dia a dia.

Meu aviso foi dado! Só clique em “ler mais” se você já leu os dois primeiros volumes da série. (clique aqui para ler a resenha do primeiro livro ou do segundo livro). Senão, espero que esta introdução já o tenha motivado a começar a ler os livros desta saga distópica brilhantemente triste e realista de Scott Westerfeld.

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Resenha do livro: A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

Da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo – Edição Especial (com extras e capa dura)

Introdução:

“A Batalha do Apocalipse” é um livro épico. Não restam dúvidas quanto a isso. Porém, ao contrário do que muitas resenhas anteriores mencionaram, não podemos compará-lo ao clássico “Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien por diversos motivos e vou citar apenas alguns: Tolkien criou um universo inteiro, não apenas uma história com seres já existentes em outras mitologias, porém, também criou seres novos, além de adicionar seu toque a cada linha escrita, a cada personagem, a cada detalhe de sua grandiosa obra.

Embora eu tenha acabado de fazer uma “comparação” com “O Senhor dos Anéis”, eu fiz isso já me perguntando: por que tudo tem de ser comparado com Tolkien? Nem tudo precisa ser comparado com Tolkien, Bram Stoker ou Shakespeare. Especialmente obras contemporâneas, cujas temáticas e abordagens tendem a ser ligadas aos problemas contemporâneos e acabam tendo pouco ou nada em comum com os clássicos.

Dito isso, não com o intuito de desmerecer o livro de Eduardo Spohr, posso dizer que sim, ele é épico, mas em outro sentido. Além de alternar entre flashbacks e situações atuais, colocando o Sétimo Dia da Criação como a Era até o momento que estamos vivenciando, podemos situar a obra no limiar entre a fantasia urbana e uma versão do autor de um tema da mitologia cristã. Além disso, outros elementos de outras mitologias estão intrinsecamente ligados e presentes, não deixando a obra com um caráter religioso e nem como uma continuação das pregações da Bíblia; pelo contrário, servindo-se da base principal da mitologia cristã, o autor ainda inclui a existência de seres de outras mitologias, como os próprios anjos reconhecem suas existências e acabam se ligando, seja fortuita ou planejadamente, nesta grande Batalha do Apocalipse.

Já que estamos lidando com um livro, em si, épico, precisamos apontar pontos que não foram citados pelo autor (na parte em que ele mesmo se refere ao que lhe influenciou), mas, como diria Umberto Eco, aquela terceira versão… a do leitor. E é sob a óptica de leitora e com o conhecimento que tenho de outras obras e da mitologia usada como fundamento no livro (além de elementos históricos e mitologias não cristãs), que passarei a fazer o que chamo de Tratado, e não apenas uma resenha, dividido em partes:

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