Rastreando Distopias #2: Manual de Sobrevivência num mundo caótico – Autora convidada: Megan Crewe

No último dia 7 de março, pedi diretamente à autora Megan Crewe para traduzir um post muito legal dela aqui para nossa Dominação Distópica e ela topou :-)

Aqui está o link para o post original (Traduzindo: Um outro mundo, não tão parecido com o nosso) e, para quem ainda não sabe, ela é a autora do livro distópico “The way we fall”.

Depois do artigo dela, farei uns comentários também (o que chamei aqui de “minha intervenção”) ;-)

Agora, sem mais delongas, vamos às dicas da Megan de…

* Como sobreviver a uma epidemia *

Com a palavra, Megan Crewe (traduzida por mim, Ana Catnip ;P)

“Agora que assustei vocês com todas aquelas doenças sinistras que existem na vida real (1), e a que criei no romance The Way We Fall, que tal algumas dicas do que fazer caso se depare com uma deflagração epidêmica em potencial?

Continue reading

Resenha do livro: A mulher do viajante no tempo ― Audrey Niffenegger

O que dizer sobre “A mulher do viajante no tempo”? Bem, há muita coisa a ser dita, mas nessa resenha vou me concentrar em falar apenas do livro, já que fiz um outro artigo para a coluna de comparação com o filme, que vocês verão aqui em breve. Portanto, se você viu o filme (com o nome, no Brasil, terrivelmente cafona de “Te amarei para sempre”), pode até ler essa resenha, claro. Mas a próxima, em que comparo o livro com o filme, apontando semelhanças e diferenças, é que está mais voltada para quem viu o filme e quer saber se vale a pena ler o livro. Aqui, meu foco é dizer se o livro vale a pena ser lido ― para quem viu o filme ou não, com foco mais no segundo.

Além disso, se você acha que “é só um romance”, já adianto que o livro pode e muito agradar aos fãs de ficção científica, já que, claro, der, fala de viajar no tempo (e no espaço!) e menciona as tentativas de um geneticista de descobrir mais sobre essa “doença” de que Henry sofre.

“Dr. Kendrick e eu começamos uma guerra filosófica sobre esse assunto mesmo. Kendrick está convencido de que eu sou um precursor de uma nova espécie de ser humano, tão diferente das pessoas de hoje quanto o Homem de Cro-Magnon era de seus vizinhos neandertais. Contesto que tenho apenas um código genético defeituoso (…) Chegamos ao ponto de citar Kierkegaard e Heidegger um para o outro furiosamente.”

Continue reading

Dominação Distópica: Leve pra casa a coleção Battle Royale completa! (Concluído)

Como Capitol é legal, eles vão sortear para vocês a coleção completa de Battle Royale. Isso mesmo: completa. Para um tributo. Um ÚNICO tributo. E o Capitol é legal? Que nada! Legal é nosso patrocinador, a Editora Conrad. Eles, do Capitol, não são legais e não vão facilitar a vida de vocês. Não mesmo!

Este sorteio estará espalhado pelos outros 11 Distritos + o Capitol e aqui, no Distrito 5, é claro. Vocês podem participar em qualquer um dos Distritos, no Capitol ou aqui. Mas… as regras são duras. Como a vida. Sim, eles foram cruéis nesse:

Kit Battle Royale – Completo
Este kit contém os 15 volumes de Battle Royale

A história:
Uma ilha deserta, um grupo de adolescentes, um programa do governo japonês, um único objetivo: matar uns aos outros até que sobreviva apenas um dos adolescentes.

Todos os liceus japoneses participam desse mortal e secreto sorteio promovido pelo governo. Cada garoto recebe um artefato aleatório que pode ajudá-lo na carnificina: uma pistola, uma foice, um colete à prova de balas, um radar ou mesmo uma tampa de panela. Não há chance de fuga, e se depois de determinado tempo houver mais de um sobrevivente, todos são mortos.

As regras são simples: apenas um pode sobreviver; todos os estudantes têm uma ração de comida, uma arma e um mapa da ilha; todos os estudantes usarão um colar explosivo que irá monitorá-los pela ilha; todos os estudantes são livres para se movimentarem pela ilha, exceto nas “zonas de risco”, que podem mudar de lugar regularmente; se existir mais de um sobrevivente até o fim da partida, todos os colares explosivos serão acionados e explodirão.

Os conflitos em Battle Royale não se resumem às batalhas e assassinatos, mas também a questões afetivas e éticas – namorado contra namorada, amigo de infância contra amigo de infância, e a pergunta mais necessária: quão longe você iria para garantir a própria vida?

Tanto a versão em mangá como a versão cinematográfica de Battle Royale foram extremamente polêmicas no Japão por sua violência explícita. Mas BR é mais que isso: uma história sobre dúvidas e certezas, onde as escolhas estão além do bem ou do mal.

“Extraordinário e ultrajante”
The Guardian

“Definitivamente o mangá mais extremo e controverso”
BBC

Fonte

… Se eles se matam entre si, por que vocês não podem se matar realizar umas tarefas simplesinhas impossíveis bem difíceis complicadas várias etapas para fazerem por merecer a coleção completa, não é?

Mas vale lembrar: por se tratar de uma história com teor adulto, apenas maiores de 18 anos podem participar. O tributo vencedor terá de enviar cópia do RG como prova. Os 12 Distritos da Dominação Distópica não podem participar deste sorteio.

Continue reading

Resenha do livro: Emergência – Neil Strauss

O que faz uma pessoa continuar em seu país natal, mesmo sabendo que ele está à beira de um colapso? Ou pior… se tiver abandonado seus cidadãos à própria sorte?
Como uma pessoa que está habituada a viver em uma cidade pode sobreviver no caso de um governo parar completamente todos os serviços essenciais?
Quantos dias você aguentaria sem o serviço de luz, de água, de telefone, de internet?

Pois é, ao contrário do que pode parecer, esse não é um livro distópico, Neil Strauss, o autor do livro, descreveu em suas páginas coisas que ele realmente fez. Neil era um cara comum, relativamente conhecido em sua área com contatos bem importantes e influentes no jornalismo musical, e fazia entrevistas, além de escrever para colunas de jornais. Também chegou a lançar alguns livros, mas nenhum tendo a ver com o escopo de “Emergência”, o que torna tudo mais impressionante, pois ele acaba querendo dizer que se ele pôde fazer tudo que descreve nesse livro, você também pode.

Ao olhar para a jornada dele depois de terminar de ler o livro, leva a gente a refletir um pouco sobre a vida que levamos. Que viagem impressionante!

“E como o futuro é desconhecido, não importa o quanto as coisas estejam bem ou mal hoje, ele será sempre uma ameaça. Portanto, no fim das contas, só o que acontecerá amanhã poderá determinar o que é paranoia e o que é bom senso. Você só é paranoico se estiver errado. Se estiver certo, é um profeta.”

Vamos lá?

Continue reading

Resenha do livro: Fome (livro 2 da série Gone) – Michael Grant

“A fome era como um leão dentro dela, rasgando suas entranhas.”

Se você ainda não leu Gone ― O Mundo Termina Aqui, leia a resenha dele aqui, claro, isso se o panorama geral abaixo, antes da quebra do artigo, fizer com que você se interesse por essa história.

Introduzindo a situação, essa é uma série de ficção científica. Bem, você pode pensar em sair correndo agora, certo? Se você já não for fã e talvez tenha aquele pavor inicial que muita gente tem quando se fala em ficção científica. Pois bem, o curioso é que muita gente que diz que não gosta de ficção científica, como bem disse a B., tem o 1984 (resenha aqui) como livro de cabeceira. E/ou adoram Jogos Vorazes, um dos distópicos famosos recentes.

Não vou discorrer aqui sobre distopia, se você ainda não sabe o que é, também já falamos sobre isso aqui, na resenha de Feios, do Scott Westerfeld. Pois bem, Gone é uma série distópica. E não é para os fracos de coração. O nível de violência dos adolescentes nessa série é terrível. Eu sofri muito lendo o primeiro volume da série, até hoje as imagens de mãos acimentadas me apavora. E se passou mais de um ano entre a leitura do primeiro e do segundo volume da série. E ainda me recordo das cenas descritas em Gone. É tenso. É forte. E Fome é tudo isso, e um pouco pior. Ou muito, tudo vai depender do seu estômago. Sugiro que não o leia logo depois de almoçar ;)

No entanto, não pensem que todas essas coisas negativas que falei acima são motivos para não ler esses livros. Pelo contrário. Leia-os. Sinta os dramas. Reflita. Em um mundo sem adultos, as “crianças” fazem coisas de assustador à pessoa mais preparada psicologicamente. E, embora muita gente tenha comparado o volume 1 a O Senhor das Moscas, e haja elementos em comum, como a selvageria e o regresso ao estado primitivo do ser, no LGAR eles não estão em nenhuma ilha paradisíaco, como em O Senhor das Moscas, e sim em um lugar aterrorizante e cheio de mutações. Além disso, embora haja outras similaridades sem ser as que já citei, a alegoria do livro está na transformação de um garoto em uma Besta, já que O Senhor das Moscas é uma referência a Beelzebub e, portanto, à demonização do garoto.

A série Gone não pretende entrar em discussões alegoricamente religiosas. Pelo menos não nesses dois primeiros livros. Embora algumas pessoas se questionem sobre a existência de um Deus, etc., algo normal em uma situação apocalíptica como essa deles, em que os adultos simplesmente pufaram, os focos são outros. Portanto, que fique claro isso: a série Gone não é uma versão e nem uma cópia de O Senhor das Moscas. ;)

A seguir, as informações conterão spoilers sobre o livro 1, portanto, se você não o leu ainda, como eu disse lá em cima, veja a resenha dele aqui em vez de seguir em frente. =)

Continue reading

Resenha do livro: Apocalipse Z – O Princípio do Fim – Manel Loureiro

O livro “Apocalipse Z – O Princípio do Fim”, de Manel Loureiro, nasceu em um blog, e acabou sendo publicado, devido a seu imenso sucesso, e não tão diferente (embora em proporções bem menores, claro), do que aconteceu com a adaptação para rádio do livro Guerra dos Mundos de H. G. Wells. Em 1938, quando a adaptação foi feita, algumas pessoas que ouviram a programação acreditaram que uma invasão alienígena realmente estava ocorrendo, tamanha a habilidade descritiva e empenho na transmissão, a cargo de Orson Welles para o público; Dito isso, no início, as pessoas que acompanhavam o blog de Manel Loureiro não sabiam se aquilo se tratava de ficção ou realidade. E por quê?

A abordagem do autor de um Apocalipse Zumbi é extremamente realista, e é nesse ponto que reside o seu maior apelo: tanto quando se faz referência às atitudes dos governos, quanto dos indivíduos, a obra do espanhol Manel Loureiro consegue captar de um modo chocante ― e excelente ― diversos aspectos do que seria um caos causado por uma pandemia, e de como a Humanidade, como a conhecemos, reagiria a tais ataques.

O livro tem início com o blog-diário de um advogado, o narrador (cujo nome não é revelado, o que, ainda por cima, nos passa a sensação de que poderíamos ser ele – essa é aparentemente, outra similaridade com o feeling no livro Guerra dos Mundos), que havia acabado de perder a esposa, e cujo psicólogo lhe aconselhara que começasse a escrever sobre seu dia a dia, de forma a lidar com a situação. Ele tem um gato persa alaranjado, que rouba diversas cenas da história e que desempenha um papel importantíssimo em situações arriscadas e de sobrevivência… mas estou me adiantando demais.

Mas não esperem “tiradinhas” cômicas (Ou seja: Não é esse tipo de zumbi ao lado. :-P ). O foco do livro está na reação de governos e dos indivíduos, mostra o quanto é precária a organização política e social de nosso mundo, o que acrescenta um tom incrivelmente sério de uma sensação de devastação, tanto interna quanto de ordem social e política.

No início, o narrador começa a ouvir notícias sobre um vírus em algum país da Europa que antigamente fazia parte da URSS. É tudo tão detalhado, que somos transportados por páginas e páginas de um relato ao mesmo tempo comovente e assustador.

Atenção: A resenha contém imagens que podem chocar algumas pessoas.

Continue reading

Review do filme: Zombieland (Zumbilândia)

Atenção! Contém alguns spoilers!

Desde que George Romero levou os zumbis pro cinema e misturou os conceitos mitológicos (herdados de religiões afro-caribenhas) das criaturas com a crítica social que ele tinha na cabeça, mortos-vivos se tornou um gênero à parte do cinema americano.

A diferença dos zumbis pros vampiros, por exemplo – que entraram na moda, depois dos come-cérebro deixarem o trono com a chegada de Crepúsculo – é que eles são unicamente uma forma de mostrar os limites a que os humanos podem chegar, e não personagens com pretensões de eloquência, como é o caso dos chupadores de sangue.

Apesar de ter uma bagagem mitológica herdada da trilogia inicial de Romero - Noite dos Mortos-Vivos, Despertar dos MortosDia dos Mortos – tudo que foi feito sobre zumbis foi unicamente para escancarar defeitos sociológicos inerentes à cultura Ocidental. Romero foi tão revolucionário que praticamente lançou uma nova estética de filmes de terror. Antes de seu pontapé zumbi inicial, o terror hollywoodiano era excessivamente calcado nas criaturas interpretadas por Boris Karloff, símbolo do terror cinematográfico de toda uma geração, com uma série de personagens tão icônicos quanto caricatos. Com A Noite dos Mortos-Vivos, os cientistas loucos foram enterrados, juntamente com castelos e planos de dominação do mundo… o terror, o medo passou a ser calcado numa espécie de realismo inédito, num ambiente bem próximo dos que assistiriam ao filme. Então, antes de chamar Romero de tosco, patético, traidor do movimento zumbi – isso ele é mesmo, depois que pariu o sofrível Terra dos Mortos -, lembre que indiretamente foi ele que transformou a estética de praticamente todos os filmes de terror pós-fim dos anos 60.

Continue reading

Sobre os finais felizes em filmes e livros de Zumbis – Carrie Ryan

Clique na foto para vê-la em maior resolução.

Carrie Ryan é a autora de A Floresta de Mãos e Dentes (The Forest of Hand and Teeth),The Dead-Tossed Waves e The Dark and Hollow Places, a serem lançados no Brasil pela Editora Underworld. Este post foi uma colaboração dela no site Karinsbooknook, em que ela fala sobre zumbis.

Dentre os monstros, os zumbis são alguns dos mais risíveis. São lentos, desajeitados, idiotas e descoordenados. Tudo que conseguem fazer é andar (às vezes, correr) e comer. Deveria ser fácil fugir deles – afinal, nós somos capazes de pensar, raciocinar, não? Podemos usar armas e conseguimos nos mover bem mais rápido do que eles, além de termos como achar algum buraco onde nos esconder.

Mas o verdadeiro terror dos zumbis reside no seguinte ponto: Eles Não Param! Esconda-se em uma casa e em algum momento eles haverão de derrubar as paredes, simplesmente pela enorme quantidade deles tentando colocá-las abaixo. Fuja para uma plataforma e chegará a hora em que haverá uma pilha deles, um por cima do outro, até que eles vão chegar até você. Tente correr, ou até mesmo cair fora andando, e eles sempre vão alcançá-lo, porque você terá que parar para descansar, dormir, comer… e eles não!

Para mim, esse é um dos aspectos mais brutais dos zumbis: a inexorável decadência da esperança; a idéia de que você pode conseguir escapar, seguida da lenta percepção de que a fuga, no fim das contas, não será possível.

É por esses motivos que eu acho que criar um final feliz em uma história de zumbis é algo tão complicado. Porque temos esse momento em que se diz “hei, eu sobrevivi!”, quase de imediato seguido da percepção de que você sobreviveu apenas naquela tarefa específica, mas o mundo não mudou e ainda é um lugar mais do que perigoso.

Continue reading