Rastreando Distopias #2: Manual de Sobrevivência num mundo caótico – Autora convidada: Megan Crewe

No último dia 7 de março, pedi diretamente à autora Megan Crewe para traduzir um post muito legal dela aqui para nossa Dominação Distópica e ela topou :-)

Aqui está o link para o post original (Traduzindo: Um outro mundo, não tão parecido com o nosso) e, para quem ainda não sabe, ela é a autora do livro distópico “The way we fall”.

Depois do artigo dela, farei uns comentários também (o que chamei aqui de “minha intervenção”) ;-)

Agora, sem mais delongas, vamos às dicas da Megan de…

* Como sobreviver a uma epidemia *

Com a palavra, Megan Crewe (traduzida por mim, Ana Catnip ;P)

“Agora que assustei vocês com todas aquelas doenças sinistras que existem na vida real (1), e a que criei no romance The Way We Fall, que tal algumas dicas do que fazer caso se depare com uma deflagração epidêmica em potencial?

Continue reading

Coluna: 3 Livros legais que encontramos para vocês #3

Vocês se lembram da nossa coluna de indicação de 3 livros? Vamos mudá-la um pouquinho, mas elas continuarão aqui. Dessa vez incluímos notas também, mas sem as imagens, por ser uma coluna e mais “rápida” e terá ao menos uma citação e uma curiosidade no final de cada indicação.

Os 3 livros indicados nessa coluna dessa vez são da mesma editora, no caso, a Galera Record.

O primeiro tem a ver com a Dominação Distópica, o segundo, com uma série de TV (o.k., o primeiro também, hehe) e o terceiro… bem, é da Meg. Porque eu simplesmente não poderia deixar esse livro de fora.

Vamos lá?

The Walking Dead – A Ascensão do Governador

Como começar a falar sobre The Walking Dead? Bem, acho que foi no comecinho de 2010 que devorei os quatro primeiro arcos das HQs. Drama com zumbis? Fiquei meio cética a princípio, mas cedi, li os primeiro 4 arcos e… bem, como eu gostaria que fosse a Galera Record que detivesse os direitos de lançamento dos quadrinhos também, pois a HQM, além de atrasar os lançamentos, não reedita os primeiros arcos (eu tentei achar para amigos, e nem em sebo encontrei… e imagino que, se achasse, estaria com um preço altíssimo, pois está “em falta”).

Ou seja, eu li até o arco 4 dos quadrinhos, que me deu uma sensação de encerramento ali, mas não vou dizer o motivo, afinal, é spoiler, e todo mundo aqui já deve estar cansado de saber que odeio ler e contar spoilers, né? ;)

E é aí que entra The Walking Dead – A Ascensão do Governador. A história se passa durante os acontecimentos entre as primeiras edições até o quinto arco, onde é apresentado o Governador em seu máximo “potencial”, digamos assim.

Mas não se descabelem, para quem acompanha a série de TV (que já digo que é bem diferente dos quadrinhos, que são muuuuito mais impactantes, inclusive fizeram uma mudança meio moralista demais na série de TV… novamente, não posso falar, mas mencionar, eu posso ;p), esse livro também é indicado.

Na verdade, ele é indicado para pessoas com estômago muito forte, pois ele tem, além de zumbis, mortes, estupro… Temos os tipos clássicos: o religioso, o guerreiro, o indefeso, aqueles que têm, mesmo que a princípio, dificuldades de matar… e muito mais coisas feias que os seres que se dizem humanos fazem em situações críticas. Há algumas belas, como a que citarei abaixo.

Uma coisa que curti muito foi isso: por ficar constantemente para trás na hora das brigas com os zumbis, um dos personagens acaba tendo de cuidar da sobrinha, e criam o código “longe”, a palavra que indica à menina quando deve fechar os olhos e tapar os ouvidos, evitando assim ter que ver e ouvir as carnificinas. Isso acaba por fazer uma referência de um arco da história dos quadrinhos lá pela edição 10. Esse tipo de cena revela o lado que puxa para o Drama e que é uma das características mais marcantes dos quadrinhos da franquia, assim como o contraste com a maldade humana revestida em pele de cordeiro. Infelizmente não podemos entrar em mais detalhes, para não estragar totalmente a história para vocês.

Continue reading

Resenha da Graphic Novel: Yuri – Quarta-Feira de Cinzas – Daniel Og

Quando chegou aqui em casa, Yuri foi uma surpresa muito bem-vinda! Afinal, bem, nós gostamos MUITO de histórias de zumbis e- Calma, já falo sobre a história em si, etc., mas primeiro, vou falar da edição.

Nunca neguei que, sim, eu julgo um livro pela capa! Hehe E, novamente, a capa linda de Yuri (vejam detalhes nas fotos a seguir), quando ele ainda estava fechado, no plástico, já me chamou a atenção. É linda! O tom creme, a arte, as cores usadas nos arabescos atrás do caixão… Tudo tão perfeito! Aí eu abri a edição e… ahhhh, mais uma surpresa linda! Tem ilustrações também na parte interna, na capa e na contracapa!

Mais uma vez a Conrad caprichou em uma edição totalmente colecionável dessa HQ, com capa bonita e boa, papel interno também muito bom, ao contrário (infelizmente) de muitas edições de quadrinhos que são lançados no Brasil para baratear custos… fico muito feliz com o tratamento totalmente decente que a Conrad dá às obras em geral.

É, deve ter dado para notar o quanto sou exigente… sim, porque não sou como muita gente que acha que “porque é quadrinhos, pode ter papel ruim, etc.” Não. Quadrinhos são uma (belíssima) forma de arte. E merecem respeito. E, bem, essa edição de Yuri é uma bela adição à minha coleção de quadrinhos (nacionais e importados) ― como eu já disse, uma surpresa muito boa, e não só porque a capa é bonita, o papel é de qualidade e a edição, em si, é excelente.

A seguir, se vocês já estiverem curiosos para saber porque diabos eu adorei tanto essa HQ (com a qual dei altas gargalhadas, em um sábado com griBe, em que essa história fez a minha alegria!), sigam em frente.

Continue reading

Resenha do livro: Zumbis: O Livro dos Mortos

Não importa qual seja o estilo de zumbi – seja o que procura cérebros, o que anseia por vísceras frescas, o que só quer dar aquela mordida para transmitir seu vírus ou até mesmo aqueles que apenas querem assombrar os vivos – uma coisa é certa: eles costumam atrair olhares curiosos e despertar um fascínio quase doentio nas pessoas. É o desejo de dar aquela espiada no desconhecido, seja no além morte, ou no grande “e se…” houver alguma coisa pior do que sofrer em vida e acabar desejando aproveitar o tempo com mais intensidade, além de dar valor às pequenas coisas?

É difícil de falar sobre o tema sem relembrar dos clássicos. Tanto em filmes, quanto em livros. Tudo deve ser levado em conta para que possamos entender os estilos que envolvem as obras sobre zumbis. No entanto, pessoalmente não gosto muito dos clássicos de zumbis, salvas algumas exceções. Quem sabe com as remasterizações em algumas edições em Blu-rays eu acabe finalmente curtindo alguns dos filmes de que antes eu acabava fugindo só de ouvir o nome. Embora em alguns trechos desse livro haja uma aura pró-clássicos, enfatizando o glamour dos detalhes dos filmes mais pioneiros, isso não me irritou tanto quanto eu esperava e acabei ficando muito surpreso por ter amado justamente essa parte da dissertação sobre os clássicos. No fim das contas, o livro não é só válido aos fãs das obras veteranas no gênero, muito menos somente à panelinha fiel ao Romero. Tem espaço para tudo nesse livro e em certos momentos você se sente como se estivesse lendo um grande making-of de filmes de zumbis, abordando desde as dificuldades de filmagem e investimentos dos filmes, dos vislumbres, inspirações e até mesmo brigas e processos entre os produtores seguindo um estilo de linha do tempo, abordando todos os filmes de zumbis.

Clique aqui para ver a imagem em uma resolução maior.

“Os olhos de Lugosi… …como duas luas carregadas de perdição, não só um símbolo de poder do vodu de Lagendre, mas também da sua habilidade de controlar os outros. Quando Lugosi olha direto para a câmera – quebrando a primeira regra do realismo cinematográfico, que diz que o ator nunca deve admitir a existência da câmera – o olhar de Legendre sugere que ele tem o poder de hipnotizar até mesmo os próprios espectadores… …o resultado é espetacularmente perturbador. Somos transformados de espectadores passivos em vítimas em potencial.”

Vejam que interessante a seguir:

Continue reading

Resenha do livro: Apocalipse Z – O Princípio do Fim – Manel Loureiro

O livro “Apocalipse Z – O Princípio do Fim”, de Manel Loureiro, nasceu em um blog, e acabou sendo publicado, devido a seu imenso sucesso, e não tão diferente (embora em proporções bem menores, claro), do que aconteceu com a adaptação para rádio do livro Guerra dos Mundos de H. G. Wells. Em 1938, quando a adaptação foi feita, algumas pessoas que ouviram a programação acreditaram que uma invasão alienígena realmente estava ocorrendo, tamanha a habilidade descritiva e empenho na transmissão, a cargo de Orson Welles para o público; Dito isso, no início, as pessoas que acompanhavam o blog de Manel Loureiro não sabiam se aquilo se tratava de ficção ou realidade. E por quê?

A abordagem do autor de um Apocalipse Zumbi é extremamente realista, e é nesse ponto que reside o seu maior apelo: tanto quando se faz referência às atitudes dos governos, quanto dos indivíduos, a obra do espanhol Manel Loureiro consegue captar de um modo chocante ― e excelente ― diversos aspectos do que seria um caos causado por uma pandemia, e de como a Humanidade, como a conhecemos, reagiria a tais ataques.

O livro tem início com o blog-diário de um advogado, o narrador (cujo nome não é revelado, o que, ainda por cima, nos passa a sensação de que poderíamos ser ele – essa é aparentemente, outra similaridade com o feeling no livro Guerra dos Mundos), que havia acabado de perder a esposa, e cujo psicólogo lhe aconselhara que começasse a escrever sobre seu dia a dia, de forma a lidar com a situação. Ele tem um gato persa alaranjado, que rouba diversas cenas da história e que desempenha um papel importantíssimo em situações arriscadas e de sobrevivência… mas estou me adiantando demais.

Mas não esperem “tiradinhas” cômicas (Ou seja: Não é esse tipo de zumbi ao lado. :-P ). O foco do livro está na reação de governos e dos indivíduos, mostra o quanto é precária a organização política e social de nosso mundo, o que acrescenta um tom incrivelmente sério de uma sensação de devastação, tanto interna quanto de ordem social e política.

No início, o narrador começa a ouvir notícias sobre um vírus em algum país da Europa que antigamente fazia parte da URSS. É tudo tão detalhado, que somos transportados por páginas e páginas de um relato ao mesmo tempo comovente e assustador.

Atenção: A resenha contém imagens que podem chocar algumas pessoas.

Continue reading

Resenha do livro: Coisas Frágeis 2

Neil Gaiman, sobre o título: “Parecia um belo título para um livro de contos. Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também.”

Em outros países ele é vendido como volume único, aqui a Conrad optou por lançar em 2 edições separadas. Fiquei muito atraída pelo título do livro – ou seria porque é do Neil Gaiman? Na verdade, foi pelos dois e decidi pegá-lo.

Acho interessante a relação de pavor-irritação de Neil Gaiman com aviões! Ele deixa isso transparecer tanto na sua escrita, quanto em seus tweets (citarei um trecho deste livro para exemplificar isso). Mas é interessante também que ele escreva em aviões, inclusive chega a contar uma história sobre algo que ele escreveu durante um vôo para Nova York na Introdução a “Coisas Frágeis 2”, na página 17. A primeira dica que deixo é que não pulem a introdução, há livros em que isso pode até ser feito, mas não é este o caso!

Quem já viu, leu, ouviu Neil Gaiman dar entrevistas, sabe ou, no mínimo, deve ter notado o amor que ele tem por suas obras e histórias e não apenas “escrever só para ganhar dinheiro”.  Embora, como ele mesmo diga, (risos), ele viva disso.

Esses paradoxos formam uma personalidade intrigante que são refletidas em suas obras, seja nos quadrinhos, em seus contos ou em seus romances. Eu sempre costumo indicar Sandman a quem pretende começar a ler algo de Neil Gaiman (é aclamado pelos críticos, e é a única história em quadrinhos que já ganhou o World Fantasy Award). Caso a pessoa não queira e/ou não tenha como ler tudo, recomendo a história “O Som de Suas Asas”, a primeira aparição da Morte, na edição originalmente lançada, Sandman número 8, “The Sound of Her Wings”.

Acredito que devemos uns aos outros contar histórias. É a coisa mais próxima de um credo que eu tenho – ou desconfio – algum dia hei de ter.

Continue reading

Review do filme: Zombieland (Zumbilândia)

Atenção! Contém alguns spoilers!

Desde que George Romero levou os zumbis pro cinema e misturou os conceitos mitológicos (herdados de religiões afro-caribenhas) das criaturas com a crítica social que ele tinha na cabeça, mortos-vivos se tornou um gênero à parte do cinema americano.

A diferença dos zumbis pros vampiros, por exemplo – que entraram na moda, depois dos come-cérebro deixarem o trono com a chegada de Crepúsculo – é que eles são unicamente uma forma de mostrar os limites a que os humanos podem chegar, e não personagens com pretensões de eloquência, como é o caso dos chupadores de sangue.

Apesar de ter uma bagagem mitológica herdada da trilogia inicial de Romero - Noite dos Mortos-Vivos, Despertar dos MortosDia dos Mortos – tudo que foi feito sobre zumbis foi unicamente para escancarar defeitos sociológicos inerentes à cultura Ocidental. Romero foi tão revolucionário que praticamente lançou uma nova estética de filmes de terror. Antes de seu pontapé zumbi inicial, o terror hollywoodiano era excessivamente calcado nas criaturas interpretadas por Boris Karloff, símbolo do terror cinematográfico de toda uma geração, com uma série de personagens tão icônicos quanto caricatos. Com A Noite dos Mortos-Vivos, os cientistas loucos foram enterrados, juntamente com castelos e planos de dominação do mundo… o terror, o medo passou a ser calcado numa espécie de realismo inédito, num ambiente bem próximo dos que assistiriam ao filme. Então, antes de chamar Romero de tosco, patético, traidor do movimento zumbi – isso ele é mesmo, depois que pariu o sofrível Terra dos Mortos -, lembre que indiretamente foi ele que transformou a estética de praticamente todos os filmes de terror pós-fim dos anos 60.

Continue reading

5 Dicas de filmes de zumbis – Uma lista… Nem Um Pouco Óbvia

Bom, filmes, livros, HQs e histórias de zumbis… enfim, histórias de zumbis e com zumbis povoam o imaginário do ser humano por diversos motivos, mas o foco deste mini-artigo não é falar sobre tais motivos, nem mencionar os finais (quase sempre) infelizes (ou não…), como já mostramos no artigo, que traduzimos, escrito por Carrie Ryan, a autora de “A Floresta de Mãos e Dentes”, que também tem um conto no recém-lançado (lá fora) Zombies vs. Unicorns.

Ontem estreou (oficialmente) The Walking Dead, a série, nos EUA, e no dia 2, Dia de Finados (Mortos), no Brasil, será a estréia.

Mas, bem, o propósito aqui era o de montar uma lista nem um pouco óbvia sugerindo cinco filmes de/com zumbis. Então vamos lá…

1. Madrugada dos Mortos (2004) {Dawn of the Dead) – Zack Snyder

Sim, eu sei que eu disse que a lista não seria óbvia… Mas este remake é um must! A trilha sonora é perfeita, a história é ótima, o final, bem, não vou escrever muito sobre este filme. Também já disse porque ver esse remake é obrigatório no artigo mencionado acima da Carrie Ryan. Embora lá esteja meio que recheadinho de spoilers, eu repito aqui: Vejam! Imaginem-se naquela situação… Vocês fariam o quê? Eu não cometeria vários daqueles erros… Mas é interessante ver como o ser humano encurralado, entre quatro paredes (um lance que Jean Paul Sartre explorou muito bem em seu livro “Huis-Clos”, traduzido exatamente como “Entre Quatro Paredes”), grande parte dos problemas que surgem em “Madrugada dos Mortos” vem disso, e não apenas dos zumbis: “O inferno são os outros.”

Pra quem ainda não viu olha a intro:

Continue reading

Sobre os finais felizes em filmes e livros de Zumbis – Carrie Ryan

Clique na foto para vê-la em maior resolução.

Carrie Ryan é a autora de A Floresta de Mãos e Dentes (The Forest of Hand and Teeth),The Dead-Tossed Waves e The Dark and Hollow Places, a serem lançados no Brasil pela Editora Underworld. Este post foi uma colaboração dela no site Karinsbooknook, em que ela fala sobre zumbis.

Dentre os monstros, os zumbis são alguns dos mais risíveis. São lentos, desajeitados, idiotas e descoordenados. Tudo que conseguem fazer é andar (às vezes, correr) e comer. Deveria ser fácil fugir deles – afinal, nós somos capazes de pensar, raciocinar, não? Podemos usar armas e conseguimos nos mover bem mais rápido do que eles, além de termos como achar algum buraco onde nos esconder.

Mas o verdadeiro terror dos zumbis reside no seguinte ponto: Eles Não Param! Esconda-se em uma casa e em algum momento eles haverão de derrubar as paredes, simplesmente pela enorme quantidade deles tentando colocá-las abaixo. Fuja para uma plataforma e chegará a hora em que haverá uma pilha deles, um por cima do outro, até que eles vão chegar até você. Tente correr, ou até mesmo cair fora andando, e eles sempre vão alcançá-lo, porque você terá que parar para descansar, dormir, comer… e eles não!

Para mim, esse é um dos aspectos mais brutais dos zumbis: a inexorável decadência da esperança; a idéia de que você pode conseguir escapar, seguida da lenta percepção de que a fuga, no fim das contas, não será possível.

É por esses motivos que eu acho que criar um final feliz em uma história de zumbis é algo tão complicado. Porque temos esse momento em que se diz “hei, eu sobrevivi!”, quase de imediato seguido da percepção de que você sobreviveu apenas naquela tarefa específica, mas o mundo não mudou e ainda é um lugar mais do que perigoso.

Continue reading